sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quando o músculo pulsante entre os pulmões pensa

- “Você deveria estar em meu espaço; Você deveria estar em minha vida”, trecho da música Narc da Interpol





Bem, a ideia desse texto surgiu durante alguns bate-papos que tive com a Mariany Carvalho, dona do blog Badulaques. Nas ultimas semanas nós temos conversado muito sobre os vários temas e situações da vida. É certo que ambos estão explorando ao máximo a subjetividade um do outro para expor conjecturas e pontos de vista específicos ou triviais. Tem sido bom, confesso! Percebi que tenho mais em comum com ela do que com todos os amigos que possuo, e isso não é um exagero.

Daí, numa dessas nossas conversar eu senti vontade de escrever a respeito do que têm nos deixado apreensivos, pensativos (no momento). Digo com relação a relacionamentos. Eu sei, é um tema batido e todo mundo opina como bem entender. Mas, é justamente o que eu vou fazer, entretanto, tentando encaixar pensamentos e valores meus. Dividirei o texto em várias partes, nessa primeira tentarei começar com um questionamento: “Mas o que realmente é um relacionamento?”... Não pretendo incorporar os conceitos do “ficar” ou “namoro” propriamente dito. Quero me focar apenas em o relacionamento em seu sentido bruto ou o quer que ele seja.

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Mas, antes de entrar no assunto em questão, faço um adendo: Não gostava da Mariany, apesar de conhecê-la tem quase dois anos (HAHAHA). Por quê? Muito simples! Como uma boa escorpiana a coitada tem a sina de às vezes passar uma imagem do que não é. E como os escorpianos são pessoas potencialmente grosseiras no seu modo extremamente sincero de agir e pensar, é mais do que esperado eu não ter simpatizado com ela.

O cômico é que eu também sou escorpiano, logo, tão bruto quanto ela! E como havia dito nas ultimas semanas nós começamos a conversar muito; aprendi a “entender” mais a pessoa dela depois que atentei as teorias de Deleuze (olha eu me metendo a cult; fail). No texto passado cheguei a parafrasear o cara em sua tese sobre demência e charme. Percebi que esse é o jeito da Mariany por conseguinte seu charme. Ao longo dessas poucas semanas de contato mais constante, a imagem de uma pessoa rude, bruta e grosseira não mudou, apenas ganhou novos adjetivos em minha mente, como: inquietude, sensibilidade extrema, excentricidade reservada, uma pessoa de espírito muito bonito e que apesar da pouca idade já se revela uma quase mulher potencialmente formada!
[...]

Não vejo muita diferença entre homem e mulher. Pra mim as únicas são fisiológicas. “Enquanto um mija de pé o outro agachado”. Mas homem e mulher são bastante parecidos no que diz respeito às frescuras, inseguranças, necessidades de firmar seu espaço mostrar quem manda e quem obedece.

Tomei como base pra desenvolver esse tema nessa primeira parte um valor bíblico erroneamente interpretado. Talvez através dessa interpretação o nosso conceito ocidental de sociedade igualitária ou distinta seja bem escroto. No oriente e países islâmicos coloco como um contexto à parte, por se tratar de Estados não laicos. No livro de Efésios, capítulo 5 do versículo 21 ao 33 o apóstolo Paulo dá um conselho ágape quanto ao respeito zelo, responsabilidades do homem para com a mulher e vice versa. Ele diz que a mulher deve ser submissa (sujeitar-se) ao seu marido em amor e que o marido deve cuidar, proteger zelar pela integridade de sua amada. Finaliza dizendo:
“Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido.” - vs. 33

A palavrinha “submissa” é assimilada popularmente como “estar abaixo de”. No entanto, ela deve ser entendida como “ESTAR AO LADO DE”. Culturalmente o homem recebe a incumbência de ser “o cabeça” da relação. Por ter força física e uma mente habilitada ao raciocínio lógico com mais rapidez que mulher, sua imagem é ligada a um referencial de segurança, refúgio nos momentos de dificuldade seja ele qual for. A meu ver, as coisas precisam e devem continuar assim. Nada contra a independência da mulher, incentivo que elas precisam conquistar seu espaço no mercado de trabalho, direitos igualitários, liberdades asseguradas dentro e fora de suas famílias e contextos relacionais. Apenas questiono convenções deturpadas no que tange os comportamentos subversivos, tanto da mulher como do homem.

O que quero dizer é que é obrigação do homem primar pela integridade física, moral, material e emocional de sua mulher. Isso não é idealismo romântico, é um mandamento bíblico! A humanidade por si só desprezou esse mandamento com desrespeitos partindo de ambos os lados. Assim como é responsabilidade e dever do homem amar a sua mulher como a si mesmo honrando-a e bendizendo-a em tudo, é obrigação da mulher ser afável, ajudadora nas situações menos práticas e meticulosas, e ao mesmo tempo terem o pulso firme quando for preciso.

Deve ser característica da mulher não contentar-se em ser a “do lar” como determinadas concepções machistas defendem. Em tudo o homem deve participar ao lado de sua companheira e não passando por cima dos interesses dela de modo arbitrário. É dever da mulher, adotar uma personalidade maleável diante das crises em um espírito otimista para contornar o que a mente quadrada e provinciana do homem vê como impossível! A mulher é sim mais emotiva voltada para o lado sensitivo. É natural que ela tenha uma sensibilidade gritante e habilidade com as coisas e situações consideradas complexas.

A submissão a qual o apóstolo Paulo se refere e escreveu deve ser mútua! Por isso ele nos exorta de que a mulher deve se submeter ao seu marido e que o marido também deve se submeter a sua mulher por amor a ela!

Penso que para que um zele e o outro se submeta é necessário também existir compromisso, sinceridade, franqueza. Nem o homem e nem a mulher procurariam algo fora do relacionamento se carregassem consigo esses valores. Muito menos estariam apáticos se estimulassem um ao outro mesmo eles estando dentro de uma rotina maldita. Repito, não estou sendo um idealista romântico, estou reproduzindo pensamentos meus acerca dos valores bíblicos que carrego. É claro que cada casal tem a sua forma de expressar seu carinho, afeto, respeito e responsabilidade e eu não estou aqui para taxar um padrão.

A respeito disso, se for falar da minha pessoa, gosto de pessoas não convencionais! Não gosto de extremos muito menos dos acessos de humor. Gosto de ser reservado quanto ao meu “gostar”. Não gosto de deixar público aquilo que é voltado para uma só pessoa enquanto ela estiver ao meu lado. Eu gosto de poder exercitar minha liberdade em poder ser homem sem interferir no espaço de alguém, mas é claro, opinando quando for conveniente, para o bem e o crescimento meu e da pessoa com quem me relaciono. Eu gosto de poder cuidar sem sufocar. Eu gosto de poder pensar que tenho uma companheira ajudadora ao meu lado que além de parceira afetiva, é também minha amiga.

Voltando a citar a Mariany Carvalho, ela postou um texto (A farsa do descompromisso) no seu blog onde determinada parte me chamou muito a atenção. Os textos dela geralmente abordam temática profissional (assuntos voltados para a realidade de quem estuda ou trabalha com Design). Neste em especial o tema é sobre COMPROMISSO. Fiz um recorte e quero compartilhar com vocês:
“Em um dia qualquer de prospecção de clientes, logo após você tentar convencê-los de que a identidade visual de sua empresa poderia ficar melhor, o seu ambiente de trabalho ou a forma de oferecer serviços estão inadequados, uma ponta de interesse por parte da pessoa com quem o designer está tratando começa a aparecer. Surgem algumas ideias iniciais, talvez até a revelação de realmente estar procurando por este serviço. Marca-se uma reunião, mas logo depois vem a célebre frase: "é sem compromisso, ok?" [...] Tudo que é desprovido de laços, de vínculos ou relação, tende a direcionar nosso pensamento à falta de cuidado, ao descuido com detalhes.”

Repito o trechinho: “Tudo que é desprovido de laços, de vínculos ou relação, tende a direcionar nosso pensamento à falta de cuidado, ao descuido com detalhes”. Quer saber o que é um relacionamento? Atente para sua integridade, para o compromisso diante das suas responsabilidades, demonstrações públicas de afeto, ao tempo que você reserva para exercitar os laços confiados a sua pessoa por outrem. Entenda que confiança é algo cada vez mais raro. As pessoas estão sedentas por afeto, por uma palavra de carinho mesmo que tímida. Adotamos cada vez mais a filosofia do “Cuide cada um da sua vida!”. Fechamo-nos em nossos mundinhos paralelos como se vivêssemos em apartamentos, enclausurados na individualidade das portas e olhos-mágicos que estão entre a nós e vizinho.

Experimente um dia apenas dar “bom dia” a um estranho, ajudar uma pessoa idosa ou deficiente qualquer no caos que é a nossa zona urbana. Experimente depois de enfrentar terrível fila de banco ou do supermercado dar um simples “Deus lhe abençoe!” ao atendente. Chame-o pelo nome (todos usam crachás, basta espiar). Sou a mais pura prova de que mudando o posicionamento é possível acrescentar pontos interessantíssimos ao caráter. Sou uma pessoa naturalmente zangada, impaciente, de pavio curto e língua grosseira. Quando atentei para o quanto estava afastando pessoas de mim, editei meu modo de ser sem alterá-lo. Como? Ponderei, policiei meus sentidos, expressões. Meu modo imediatista de ser. Determinadas características nossas não vão embora, portanto, é nossa responsabilidade primar por um mínimo de sociabilidade e empatia.

Quer entender no sentido bruto o que é relacionamento? Dê mais e espere de menos. Escute mais e faça de menos. Não reaja como assim esperam. Seja o inverso do que uma situação de crise lhe pede para ser. Valorize os detalhes, as minucias, o brilho nos olhos, o timbre de voz, o toque de leve no braço, o esbarrar tímido de uma mão na outra. Nade contra a maré daquele perfil de homem garanhão ou de uma mulher multifacetária. Rejeite a tolerância à infidelidade, mesmo que ela esteja apenas nos seus pensamentos. Se você acredita que trair consiste no ato em si, está errado! Todo ato começa na mente, portanto imagine o quanto você já foi desleal, não só em um relacionamento, digo em tudo.

Quer entender qual o sentido de relacionamento sadio? Biblicamente falando, coloque Deus a frente de todos os teus planos! Se você está com alguém, com certeza a tem apenas por conta de dois motivos: Ou por insistência sua ou porque Deus já a havia separado para estar ao seu lado! Idealismo? Romantismo? Se quiser interpretar dessa forma, tudo bem, mas há de se convir que faz sentido, ou não temos o que chamam de livre arbítrio? O livre arbítrio de decidir o que ou quem nos é melhor, seja esse melhor debaixo da vontade de Deus ou nossa?

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Pois bem, esse foi a primeira parte de uma série que pretendo escrever com calma. Até a próxima e obrigado aos que insistiram na leitura até aqui!