quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A memória é o cárcere do tempo

Ao som de "O Meu Lugar" e "Palavras" da Resgate; "Animals" da CocoRosie



Preso aqui nessa bolha
Enfrento qualquer tipo de seta
Indago qualquer mente
Pergunto-me se o meu ser ainda, e até quando
Irá, ainda, entrar em conflito consigo mesmo
Como se eu fosse um terceiro sujeito
Posto de fora
Enquanto dois seres estranhos se matam.

Eu penso, sinto
Olho e desejo
Dobro meus joelhos e com fortes preces eu clamo
Que escutes e se puderes, atenda ao meu clamor
Seja ele puramente, veja bem, “puramente”
Ao meu pobre coração
Ou a minha guerreira alma.

Eu não sei se o amanhã vai existir
Tento não pensar, tento não sentir
Mas nada é igual como outrora
Os dias se sucedem como terremotos
Meu coração palpita
E grita por teu nome.

Dizem por aí que o apocalipse é o fim
Mas ele é apenas a revelação do fim que já começou
Eu estarei lá contigo um dia?
Minha alma diz que sim, mas e o corpo?
Acredito que ele pouco importa
Não o levarei a canto algum
Quem sabe a sete palmos da terra.

O presente se repete como o amanhã
Nessa bolha em que me jogaste
Para algum exemplo e função que aos poucos descubro
Eu poderia sim viver como débil
Mas qual a finalidade disso
Ou qual propósito teria?
A bolha desse tempo material se espreme tentando
Mesmo que inutilmente
Dar-me ou colocar-me
Mais um segundo de puro fôlego
Veja bem, “puro”
Pois é onde eu quero andar
Com lâmpadas nos meus pés
Luz nos meus olhos
Um espelho no rosto, que pudesse cegar quem quer que seja.

Recolho-me para meu quarto mais uma vez
Me prostro e intercedo
"Tendes misericórdia!"
Oro e me apaixono
Por alguém que ainda não me confirmaste a vontade
Ouça a minha voz
Pois mais uma vez quero ouvir a tua
Assim, “tão doce”.

Imagine, apenas imagine a doce voz
Os celestes anjos a cantar
Imagine e tente apalpar a eternidade
Imagine apenas, se quiser, tente viver...

2 comentários:

Mary West disse...

E o tempo sempre dará um jeito de nos afetar. Para o bem ou para o mal.

Liquificadorizando disse...

Voz doce, assim tem todas as pessoas pelas quais nos devemos encantar.