Ao som de "Sem Mentira" do Fabio Goés
Engraçado, to sentindo aquela mesma sensação de perda pela ponta dos dedos novamente.
Ao mesmo tempo uma sensação de sequidão miserável e toda uma possível dor e tristeza que trouxe, ou levei... Sei lá, dane-se.
Eu aqui preocupado por algo que sei bem que a descrença já tomou conta, mas, eu não sei o que é talvez porque eu ainda to vivo e isso me impede de ser de todo o que há muito eu já sou... Só não me dava conta de como é bom isso.
É melhor ter tudo como memórias mortas, aqui dentro, dessas bem nervosas que fazem o peito coçar e se inclinar para a verdadeira frieza.
Incomoda e ao mesmo tempo faz tirar um pouco daquela falta de ar que sentia antes.
Sabe bem né?
É na verdade um processo complicado até se chegar onde se está. Ambos sabemos que até aqui as coisas não são fáceis, é desapego atrás de desapego, poço ficando seco, barrento, até depois só a lama e consequentemente as rachaduras no fundo.
Mas é isso aí, isso aí é viver, isso aí é aprender da forma “lado b”, da forma diferente ao convencional, ao convencional que já nos conformamos em não desfrutarmos... Isso sim é benção!
No fim das contas:
“Eu sou pior que você, e me sinto bem em sê-lo
Eu sou tudo que você mais deseja, e me sinto bem em sê-lo
Eu sou todas as coisas que mais odeias, e que mais amas, e que mais te constrange, e que mais te faz lembrar que mesmo assim fico feliz e me sinto bem por ser cada esfera desse teu particular mundo abstrato.
Apenas me sinto sozinho
Sozinho
Sozinho
Sozinho
E um pouco mais sozinho
Sou a tua própria solidão e a necessidade em desacreditar nas coisas, a esperança de ter algo que mude esse conceito não concreto e que bata na tua porta esperando o novo.
Sou a tua raiva, sou a tua paz, sou o teu desejo reprimido não cultivado pela libido, sou a tua bondade, o teu desapego aos sentimentos alheios
Tudo de mais singelo e escondido para ninguém ver, e quando consegue ver, atormenta, deixa zonza”.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
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[M]. Atahualpa
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sarcasmos
sábado, 7 de novembro de 2009
O ser é frágil
Decadente matéria que insiste no afetivo, porém frágil
Implicante essência que necessita do toque, porém frágil
O ser é frágil!
Estranha confusão
Sim, vivo num maravilhoso mundo de ilusão... Mas não me venha com conceitos dramáticos... Odeio drama, odeio melosidade, odeio afetividades exorbitantes, odeio qualquer coisa ou quem faça de tudo como se fosse o fim.
Estranho paradigma
Como todos, requerem críticas
... Duras críticas, constantes críticas
Flutuo em sensações confortáveis como se a vida fosse um sonho, desses que se escutam trompetes, sanfonas, blues, jazz, folk, rock, gospel, corais, anjos... Deus.
Trip hop é pra fuder e os flash-backs mostram que apesar de tanta sequidão e indiferença, sim, ainda me permito guardar coisas... Ternura.
Cansei apenas da mesmice de sempre!
Estranho estrondo que abalam estruturas
É permitido e louvável alcançar degraus que constrangem, pois se constrangem é porque o errado está sendo feito... O constrangimento provém da admissão interna de se estar fazendo algo errado.
Degraus que fazem nascer descrença na possibilidade em ser melhor, ser melhor extasia, dignificam a alma e o ser.
O ser é frágil... Como o orgasmo!
Eu preciso respirar constantemente
Às vezes sufoco nessa piscina natural chamada oxigênio
Farto de muitas coisas e mesmas picuinhas sejam elas emocionais, racionais ou estruturais (ais... ais... ais...).
Tudo é uma questão de querer e dizer foda-se o poder
Fodam-se os jargões
Fodam-se as tentativas de sentir
Fúteis paixões e suas decorrentes crises emocionais onde a razão parece uma mula teimosa
Fodam-se as sensações
Fodam-se os planos de futuro
Fodam-se os sonhos e os joguinhos de fazer tudo ser bonito ou ao menos TENTAR fazer tudo ser bonito
Fodam-se as maneiras de instaurar paz, conjugação de verbos, hedonismos, prazeres gerais, sexo, putarias, amor (ainda me privo em amar... só não sei quando isso será útil).
Existe lá algum exercício que faça sentido? Desacredito em quase tudo e todos, as palavras aqui escritas ecoam como gritos na mente de quem escreve, seguidos (Agora!) de calmaria, câmera lenta e ternura. Ternura. Ternura... Ternura. Sinto Ternura. Falta Ternura. Tenho Ternura. Não compartilho Ternura. Ternura, sufoca-me!
Valores estão mortos (segue fala cansada), sustente-se em si mesmo, apenas em si
Nada responderá por você, apenas seus atos, suas verdades, sua vida, seus “desejos”, “vontades” de dizer “não” e “sim”.
Nada existe se não aquilo que queremos que exista que queremos acreditar que existe (em se tratando de humanismos e outras vertentes à parte).
Só existe o vácuo e o som do universo.
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22:43
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Os céus são mares suspensos.
E as ondas são o gás em forma de algodão.
Quem sou eu?
O que sou eu?
Existem vários “eus”.
Dentro de cada pessoa existe uma versão do meu “eu” e todas elas são verdadeiras.
Eu nado nesses céus de mentira na espera de ter asas... Seis asas como de um querubim.
Existem vários “eus” e ao invés de serem plural são singulares; versões de si mesmos, portanto singulares.
[...]
Ainda bato a porta
E tu por acaso vai abrir?
Só porque as várias versões de si mesmas te confundem e irritam... só porque as várias versões de si mesmas não te trazem a calmaria que a maioria deseja... só porque eu não sei o que realmente queres... apesar de tanta adrenalina misturados a lábios mudos e carinhos brutos, tenho apenas sorrisos e detalhes discretos.
Tentarei promover o conceito “Hail to the thief!”.
Só pra no final ver nesses olhos miúdos como se estivessem sempre com sono o esticar natural que um sorriso produz e a arcada dentária à mostra sem falar na úvula saltitante deixando claro que tudo é sincero.
[...]
Enquanto isso, eu vou voo nesses céus de mentira com minhas seis asas de papel celofane.
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22:32
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Datas são o não acaso para que outrem não se esqueça de um dia em especial.
Assim como dar vazão e importância a pequenos detalhes e gestos quando os mesmos pequenos detalhes e gestos não existem; aquilo que antes era mera convencionalidade da data faz doer o peito por dentro por conta do esquecimento.
Existem simplicidades que deveriam ser cultivadas diariamente.
Mas do esquecimento de outrem faz nascer o seletivismo e a expiação do que realmente importa.
Poucos sorrisos se fazem possíveis de serem vistos na verdade quase contidos; é preferível uma atitude de inexistência se o não ao culto em prol do individualismo.
Nesses mares desertos é que faz sentido estar sozinho e estar aquecido estando debaixo de uma chuva com ventos frios e com frio estando debaixo de um sol escaldante como o que tem assolado a minha cidade atualmente ou estar rodeado de pessoas e sentir como se nenhuma delas existisse.
Datas são o mero acaso da convencionalidade mas que mesmo quando por advento são esquecidas fazendo doer o peito.
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21:11
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Ao som de "Elizabeth" da Team Sleep
Qual é a falta de simplicidade se não tentar ser diferente e porque tentar ser diferente? Eu e minhas indagações sobre aquilo que observo sobre o que tanto se quer, sobre o que tanto se procura, critica e ambiciona.
Observei certo dia uma cachorrinha atravessando a rua na faixa de pedestres. Ela em determinado momento exitou, mas parecia conhecer tudo aquilo como se fosse realmente seu. Até que um motorista de ônibus resolveu parar, provocando um enorme engarrafamento. Maldita pauta infrutífera desse jornal filha da mãe em que trabalho. Li os lábios do motorista e como ponto final ressaltei um enorme “PORRA”. Bom ponto final para uma frase. Achei graça e sorri. Tudo muito simples, como ver aquilo em forma de rabiscos de carvão. Sol morno, vento de fim da tarde meio quente e misturado com frio. Pessoas caminhando para o ponto do coletivo. E eu vidrado na cachorrinha magricela, feinha dos olhos miudos.
Acredito que tudo seja muito simples e é por teimosia que se complica e que se criam as discórdias, o ódio, o remorso, a falta do que fazer e no que crer.
Falta esse calor aqui dentro, falta esse aconchego que há tempo não sinto. Nem amor nem paixão, só tranquilidade, daquelas em que é possível repousar e adorar estar ali, seja onde for.
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15:42
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Seco e escasso
Se disser que ando seco
Se disser que ando vagando feito zumbi
Posso parecer um mal agradecido.
Só sei que é vazio e sem paredes
Sem teto, nem entradas ou saídas
Sem piso nem filetes de luz
Só eu e minha sala branca
Mente branca
Papel esperando ser escrito.
Parece que o re-start surtou
Só o back-up da as cartas
Ando fazendo careta pra qualquer coisa
Ando deixando de ser careta
E o que é ser careta?
Por que isso é tão cômico e ridículo?
É só mais uma denominação
Como as outras tantas? Pouco importa...
E o coitado do amor
Esse mesmo pede folga
Parece mais uma coalhada, dessas bem azedas
Diante de tanta modinha
E esse tal coitado amor, o que ele tem a dizer?
Tem tanta coisa em obscuro
Tem tanta coisa escondida
E eu me sinto uma dessas crianças curiosas bisbilhotando coisa alheia
Pareço não, sou
E sempre vou ser
Que mal tem afirmar isso?
E porque não ser?
E porque forçar-se a ser aquilo que o tempo não me permite?
E porque afirmar tal coisa gera mais críticas ainda como se eu estivesse tentando ser além daquilo que o tempo me permite?
É ou não é cômico ao ponto de dizer: Porra! Mas eu não disse nada!
[...]
Sinto como se uma espécie de poder saísse por meus dedos
Não no sentido de controle, mas no de perda
Vejo em sonho, eu de pé, desfalecendo em câmera lenta
Sorrindo e mostrando o dedo médio como resposta.
Durmo nesses céus escuros
Como mares suspensos
Imagino-me neles nadando
Como se o meu desejo independesse do seu
E toda a minha dispensa pelos direitos humanos fosse compreendida.
Sim, a minha indiferença é a melhor maneira de se proteger contra o acaso
Contra o peito
Contra o seio
Contra alma
Contra as injurias do corpo
Contra a falta de saciar o que faz arrepiar minha espinha.
Sabe amor, tu estás bem ali
Paradinha num canto esperando eu tomar uma decência
Comportamentos que valham à pena
Mas são tantos os amores, porque só a ti não me convém chegar?
Acredito estar no caminho certo
Mas, como o próprio Russo disse
Sim aquele barbudo da tal Legião... Boa banda
“Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio”.
...
“E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi”.
As cores são mornas
Poucas listras e calças mais justas
Ainda desejo tua bunda arrebitada me encarando em posição de “4”
Ainda desejo teus olhos a me encararem de lado meio entreabertos e o suor escorrendo pela costa se dividindo pelos quadris
Ainda posso tentar voltar a dizer aquela frase mágica
Não em palavras verbais
Quem sabe cantadas ou através dos meus dedos e gestos de simplicidade perante o presente que a mim foi concedido pelo bondoso e misericordioso Deus.
Você? Sim faça-me rir.
Ando vazio e queria me tornar um espaço branco com algum rabisco
Aperto o re-start e espero que a fita rebobine...
... Reviver o que eu tento ajeitar.
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[M]. Atahualpa
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22:16
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ao som de “I Know We Could Be So Happy Baby (If We Wanted to Be)”, “Vancouver”, “Jewel Box” e “Eternal Life” do Jeff Buckley
Já comentei há um bom tempo sobre uma teoria existencialista que possuo.
Ultimamente essas idéias têm vindo com uma força maior, não que eu esteja questionando a minha existência ou a de uma pedra, ou muito menos vãs filosofias. Sou apenas um cara de 21 anos que tenta pensar um pouco. Na verdade, tenho pensando mais que “um pouco” a ponto de me perturbar, mas, ao mesmo tempo sem causar ansiedade nem coisa do tipo. Muito menos remorso, nem fadiga, nem mesmice, nem nada... Apenas uma forte necessidade de inexistir, pois parece que isso tudo aqui é um grande fake.
Pois bem, nessa minha teoria eu falava em como tudo é muito grande se comparado ao que chamamos de vida, de valores, de crenças ou não crenças. Sei lá, ando muito farto de muita coisa, de muitos livros, de muitos filmes, de muitas vertentes, de muita gente, de quase tudo se não tudo. Não quero parecer aqui uma dessas pessoas metidas a especiais ou exclusivistas, muito menos críticas sem terem o que criticarem, sem sentir ou viver que deveriam sentir e viver. Na verdade acho que esgotei muita coisa nesses meus 21 anos, quase 22... Sem dramas.
Pensei em como tudo me parece mais uma bola, dessas pequenas e transparentes, imaginando aqui a vastidão dessa bola, da imensidão do universo e nós como um pequeno pontinho menor que uma merda dum grão de areia. Eu me pergunto o que é esta porra diante de tanta coisa que fazemos e sustentamos. Sei lá, longe de mim estar apático, mas parece que tentar pensar demais está me doendo à mente e o corpo, cada vez mais me trancafio e fico mudo. Quem antes era conversador está ficando mudo, quem antes era sociável agora prefere ficar num canto lendo algo ou escrevendo, fazendo rabiscos na parede, olhando pro céu escuro deitado na carroceria de uma Courrier enquanto uma louca cortava o trânsito em alta velocidade gritando pela janela, fazendo sinal de luz e buzinando freneticamente (noite em que Thamia me deu carona, melhor noite, vale ressaltar).
Imagino os meus problemas, as minhas alegrias, as minhas injurias, as minhas ansiedades, meus planos, minhas necessidades, minhas abstinências, hedonismos, vícios, pecados, santidades, adorações, súplicas ou qualquer coisa que faça doer e gemer meu peito... Isso quando não fico no pior dos estados, apaixonado, odeio ficar assim. Imagino a vastidão do universo e dizem que ele é finito, imagino que dentro desse fim paralelamente existem outros tantos universos finitos, não dispenso a existência de uma Santíssima Trindade, pois se algo tão complexo foge a minha especulação juvenil, que dirá de alguém estudioso, idoso e caquético com jalecos brancos ou verdes. Por essas e outras engulo minha ignorância até o dia em que esse meu corpo resolver morrer.
Fuck you, fuck me, fuck everybody, fuck all!
Vejo tudo em branco e preto, com uma trilha sonora por trás dessas bem sensuais e suaves, dessas que você só deseja algo em que possa relaxar nada muito excitante, mas também nada muito fora do tesão... Tem que existir um equilíbrio. Talvez por isso mulher nenhuma se desfrute por muito tempo comigo, dizem que sou intenso demais, okay faz-me rir... Sei lá, acho graça de tanta coisa, que dirá de uma teoria concebida enquanto estava deitado na areia molhada da praia à noite. Fiquei lá por horas e notando como o que acontece comigo e com você é tudo uma grande repetição, é tudo uma grande imitação e reciclagem de valores, pensamentos, vivências, experiências. O amor sempre vai ser o mesmo, a dor da separação sempre vai ser a mesma, perder um emprego sempre será frustrante, nascer e morrer sempre serão um trauma, e pensar ter encontrado a mulher da sua vida (ou homem para aqueles que curtirem o lance)... O que difere isso tudo é a intensidade e maneira em como se desenrolam as coisas.
Como num jazz ou blues em que você precisa ter desenvoltura, como no rock’n’roll em que você só precisa externar seus demônios e sentimentos carnais, como num verso feito por um poeta qualquer que só quer parar de se sentir só... Tudo é um vídeo em branco e preto pra mim. Teorias vão e vêm, valores nascem e morrem, artistas brilhantes, melancólicos e geniais como Jeff Buckley sempre existirão. Por exemplo, o Thom Yorke que conseguiu o feito de se achegar ao cara, mas Buckley é Buckley.
[...]
China diria mais:
"Enquanto tudo gira ao meu redor
Eu permaneço vendo a cor que me convém
...
Cansei de ter razão demais
Cansei de ser um perdedor"
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[M]. Atahualpa
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14:03
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domingo, 18 de outubro de 2009
Eu presencio o novo
O novo me constrange
O novo me apaixona
O novo causa drama.
Tragédia
Caos
Espontaneidade
Misericórdia
Dor no peito
Diarréia
Mente atrofiada
Ansiedade espumando
Sentimento indo dum extremo a outro em segundos
Olhos alertas e olheiras fundas.
Medo
Indignação
Pavor
Raiva
Questionamento
Solidão
Quase uma amargura
Esperança
Suspensão de pensamento
Suspensão de desejo
Sonho
Plano de vida
Simplicidade
Pureza de coração
Nada mais existe se não a pressão interna.
Mãos tremem
Corpo inteiro sua
Olho olhos
Sinto mão
Dou abraço
Sinto o cheiro
Toco nos cabelos sem a intenção de tocar
Noto as curvas
Vejo as nádegas
A cintura bruta e os traços faciais suaves contrastando com o físico atlético.
Fico apenas a observar
Não posso realmente tocar
Medo
Inveja
Indignação
Rancor
Bipolar
Surto psicótico
Apenas a vontade de saciar um pensamento
Um plano
Um sonho
Um pretexto para fazer o que é possível entender como inviável ou infrutífero tudo pelo simples fato de estar ali e não se sentir estando ou fazendo parte tudo por estar ali e tocar sem sentir estar realmente tocando tudo por estar ali e por saber que cada palavra entra e sai por esses ouvidos como se fossem outras quaisquer porque eu sei que tudo isso é mera condição do acaso e cada vez mais provo de que certas pessoas não nasceram para o acaso nem coisa alguma.
Apenas para ficarem sós.
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09:01
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Cá estou eu mais uma vez escrevendo minhas lembranças
E me lembro agora que já comecei algo em outro tempo qualquer, da mesma forma
Sabe?
Cá estou eu recordando de alianças feitas
De pactos mal sucedidos
Sem nenhum remorso, porque como o próprio Nietzsche diria
“O remorso é indecente”, como se eu curtisse Nietzsche... Nem um pouco
Mas a afirmativa do cara é relevante.
Enfim...
Cá estou eu tentando pôr em prática coisas que eu poderia conseguir
Isso se existisse no mínimo um pouco de disponibilidade
Na verdade tal coisa até existe
Não existem são forças
Não existe uma pessoa que pudesse ajudar a dar coragem a essa vontade
Não existe é algum tesão ou relevância sentimental-idealística para sustentar algo.
Como versos longos e frases grudentas
Cheias de lamentações que não são lamentações
Eu prefiro me calar e observar os tratos que deveria cumprir
Os contratos que deveria relevar
O Deus que deveria respeitar
O amor que deveria insistir mais um pouco em sustentar e acreditar
E todos os outros verbos que pudessem aparecer por aqui para conjugar.
Tô cansado, tô mesmo
Lutar se transformou numa fadiga
E o Apóstolo Paulo estava certo ao dizer
“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço”.
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22:22
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sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Pow mano
Não me torra o saco, tô farto de tanto conceito
De tanta ignorância revestida de empirismo
De tanta mesmice revestida de amor
E da compaixão revestida de humanismo.
Pow mano
Não me estressa com teu conceito barato
Tava ali na minha vendo a cor que me convinha
Com alguns brilhantes laterais
Desses que se põe com a ajuda do photoshop
Tô me cansando de muita gente
De tanta roupa
De tanto “porque” em coisas que não existe “porque”.
Pow mano
Deixa eu aqui quietinho no meu canto
Deixa eu curtir o platonismo por aquela tetéia
Deixa eu curtir minha fantasia
Onde lá é possível tê-la
Onde é possível não ter dívidas nem visitas ao Serasa.
Pow mano
Em vez de tentar me animar com teus conceitos rasos, espelhados na tua vida sem graça
Me traz algo pra beber, de preferência um vinho
Conta praquela tetéia sobre o meu platonismo e todo o meu sentimento
Pinta meu quarto da cor que tu descobrir
Paga minhas dívidas e me mostra onde fica o verdadeiro céu...
... Tô cansado de ficar por aqui.
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23:34
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Ao som de “Personal Jesus” da Depeche Mode, na voz de Johnny Cash
Se formos prestar atenção, palavras não existem! Seus significados estão mortos e insistem em serem “ressuscitados”. Tanto elas como os seus significados não passam de convenções que faz jus ao tempo e momento.
Se formos prestar atenção, toda forma de agir e ser é baseada numa cópia, em repetir algo já dito, escrito, feito. Somos eternos imitadores e adequamos essas imitações à nossa realidade e àquilo que chamamos de VALOR, convergindo futuramente em algo que dizemos ser nosso.
Se formos prestar atenção, o amor (humano) não existe! Não passa de um estado ou um acordo não estipulado entre duas pessoas, que não tem aquilo que querem receber quanto mais oferecer. Entendeu? É simplesmente algo abstrato, sem classificação e descrição, existente entre duas pessoas que satisfaz e traz bem-estar, atendendo as respectivas necessidades e ideais de respeito mútuo “até que a morte os separe”. Acredito sim no carinho, na cumplicidade, no companheirismo, sinceridade e zelo.
Se formos prestar atenção, o conceito de religião é uma forma de identificação social. Tal identificação pode ser baseada na fé, na ética, moral, comportamento. Tudo é uma questão de negar a si mesmo e de como se portar diante das situações. Se você for levar para o contexto cristão, a religião em si mata o próprio dizer do Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não por mim!”; já que a mesma é uma instituição criada pelo homem para se chegar a Deus. Compreendem?
(Sem desmerecer nada vinculado à religião cristã, eu mesmo sou de uma vertente histórico-teológica, a Protestante)
[...]
Dentro do contexto cristão (agora um adendo meu), a religião é o próprio Cristo e não o cristianismo em si. É inconcebível na minha mente descartar a existência de um Deus, de um Cristo, comparado ou apoiado naquilo que eu mesmo reivindico aqui neste texto: A Razão! Acredito que a própria razão volta-se para este ponto conflitante, sejam ele cultural, pensamentos, teses, estilos, crença ou não crença. O contexto histórico e de fé que envolve Deus e o Cristo constrange e gera debates e mais debates, seja para afirmar a existência e a veracidade ou para afirmar a não existência e a blasfêmia de tais divindades eternas, oniscientes, onipresentes e onipotentes... Certas coisas fogem de qualquer especulação, pesquisa, critica, ou sanidade (ou a falta dela a luz daquilo que achamos ser sanidade, desconfio e desacredito em muitas outras coisas aparentemente obvias e simples), diz respeito ao viver e o crer. Apenas isso, tratando-se única e exclusivamente disso!
[...]
Se formos prestar atenção, certas coisas tendem para a apatia. Lute para não se enveredar por esse caminho. Não há nada que dê maior repúdio do que a apatia. Até mais que o fanatismo, que não diz respeito apenas a um ser divino. Trata-se sobre qualquer coisa que se defenda de modo ferrenho sem expandir os horizontes da mente e da flexibilidade-tolerância.
Porque não viver na razão e em busca daquilo que traz paz, aperfeiçoamento do caráter e a não estagnação em nenhum setor da vida?
Tudo é metanoia.
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” – Romanos 12:2
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009
O tempo tá passando rápido e devagar. Como se eu precisasse vomitar tudo toda hora, como se eu precisasse de algum conceito guardado nas mangas. Toda essa pós-modernidade, de pós-conceitos, de pós-tudo, ta me enchendo o saco.
Sabe quando tu começa a ver as coisas já sabendo onde será colocado um ponto final ou aquelas risadas dadas apenas pra seguir o enredo? Pois é... Não chega a ser apatia, também não é uma critica muito menos um sarcasmo, ta mais pra uma ironia mal dada.
Pois é...
"E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente nem vive
Transformar o tédio em melodia...
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno anti-monotonia..." – Cazuza e Frejat
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Ta tudo uma puta correria
Ta tudo muito doido
Eu to engordando feito um louco
Mas mesmo assim continuo malhando
Sabe, ficar aqueles gordinhos arrumados...
Pois é...
To pra surtar
To pra te dizer que sinto tua falta
Das tuas criancices e mimos
To pra ter um ataque mesmo sabendo que vou escutar teu desprezo por confessar tal coisa.
Eu num sinto nadinha
Nada por ninguém, que dirá por mim mesmo
To pra ficar doido com tanta coisa que tenho pra fazer
Com tanta coisa que tenho pra estudar
E num to com culhão pra observar uma linha.
Minha mente ta vaga
Vazia de assuntos relevantes com os quais poderia ser bom compartilhar
Parece que falta um tempero
Uma lembrança ou um fato pra apimentar o jogo existente
Parece que falta um pouco de malícia e gostar de brincar com o que não se deve.
Já te disse hoje que tu é linda?
Pois é, tu é.
Já te disse hoje que tu é um porre de pessoa?
Pois é, tu é.
Mas sei lá, mesmo assim, tu tem o teu valor
Sem precedentes e justificativas lógicas...
Nunca liguei pra lógica, isso é tarefa tua.
As vezes eu acordo e eu lembro de como tua chatice é cativante
E de como conversar era monótono e ao mesmo tempo emocionante
Porque eu tinha de dar tantos “porquês” e mesmo assim me cansava de dar esses porquês
Achava mesmice, achava chato, achava pequeno demais...
... Continuo achando.
[...]
Ta tudo se transformando numa grande piada
E eu fico olhando prum lado e outro
Rindo sozinho em pleno gogó dentro do busão
Tu sabes que convencionalismo nunca foi meu forte
Talvez por isso a gente se “desgoste”.
Engraçado porque eu não desgosto
Apenas se tornou um fato consumado
Um fato que teima em se repetir e afastar o que poderia ser uma boa amizade
Nossa que decadente essa afirmativa...
... To te falando que ta tudo uma puta duma correria
Que ta tudo muito doido
Que ta tudo muito saturado
E que já ta na hora de se resolver
Que já ta na hora de entrar em acordo
Pois sorrisos têm que ser dados
Repreensões têm que ser assimiladas
E amizades têm que ser mantidas, apesar dos pesares.
Mas, já percebeu que isso é um desejo só meu né?
[...]
Ta tudo bem louco
Ta tudo bem nostálgico
Minha cabeça ta vazia de ideias e eu gostaria de poder aprimorá-las
Falta-me o tempo
Falta-me o tesão.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
É quando eu me recolho para o meu quarto, e deito minha cabeça no travesseiro, depois de um dia estressante, que percebo meus defeitos, erros e acertos.
Eu não sou um fato isolado neste mundo. Tal situação acontece com qualquer um, sob qualquer circunstância, não importando a condição financeira ou classificação social. O problema é que certas coisas, lembranças ou o que preferirem, fazem tudo parecer um inferno sem precedentes.
Não sou santo e não pretendo ser. Sei o que sou e como devo ser. Aceito a condição da minha natureza e fato dela ser a principal inimiga dos planos que tenho em vista. Principalmente em se tratando de Deus, em se tratando de valores, de ideais ou falsos ideais.
Olhares, responsabilidades, o dia-a-dia, tudo é uma eterna prisão, uma eterna forma de exigir o que eu não estou a fim de mostrar, doar, trabalhar. Apesar de saber que todas estas coisas cooperam para o meu aperfeiçoamento, eu ultimamente pouco me importo com nada do que venha a ser substancial ou superficial.
Quando eu resolvo dormir, após um longo dia estressante, cheio de dizeres, observações e fatos que me dão vontade de meter um tiro no primeiro que aparecer; quando resolvo dormir é que presencio os meus demônios, meus encargos de consciência, minhas falhas e em como eu sou pequeno diante da eternidade. Pequeno diante do que defendo, do que parece relevante em sentido geral.
A minha matéria é minha principal forma de concupiscência. Não tenho ao que recorrer ou do que fugir, se não me auto-preservar, tentar manter-me sóbrio, morder meus dedos e lábios para todas as vezes que perceber estar fazendo aquilo que me afasta do alvo, do foco, do que é realmente importante.
E pensar que sou um errante consciente. Caio sabendo que estou caindo. Erro sabendo que estou errando. Se o saciar de hedonismos é tão constrangedor ao entrar em conflito com certos valores, por qual motivo então eu os possuo? Para certas coisas não existem respostas, apenas questionamentos-respostas. Como num ciclo vicioso.
Sem reclamações, apenas uma parada para pensar nas coisas que vêm do alto.
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sábado, 26 de setembro de 2009
Ultimamente tenho visto as coisas como um quadro. É, desses para serem admirados e depois você chegar à conclusão célebre: “Que porra é essa?!”. Pois é...
Mas também não entenda isso como uma apatia ou afazia ou qualquer outra coisa que termine em “ia” ou “ar”, “er” e “ir”... Enfim, tenho visto as coisas como um quadro cinzento e sem sentido.
Às vezes eu penso que Deus é um cara pra lá de excêntrico, na verdade, tenho é certeza. Por isso simpatizo com a causa Dele.
Eu vejo tanta gente tentando tanta coisa, e eles mal percebem que a cada segundo perdem mais um segundo daquilo que chamam de vida. Ta certa que isso aqui soou meio clichê, mas é verdade. Eu também não pretendo pregar aquela velha questão superficial de aproveitar tudo ao ultimo minuto e intensidade, isso seria decadente demais. Tudo que quero dizer é que tudo parece mais um quadro desses que você diz “Wut f**ck is this”... Enfim.
As mesmas palavrinhas, regrinhas, vontades, rebeldias e fatos. Tudo é um grande flash back, e não se iluda em seguir alguma moda, pra mim a tal moda é apenas uma repetição ou atualização de algo já inventado. Um ciclo vicioso.
Eu também ando cansado dos velhos conceitos do tal amor. Ah, pelo amor do Santo Cristo, aquela velha regrinha do sexo, do saciar prazeres... Porque eu não posso ter o culhão de criar meu próprio prazer e ficar numa nice, rindo de todo mundo enquanto me auto-analiso, com um charutão na boca e uma long neck na mão (de preferência uma Heineken ou Antártica)? E olha que nem beber e fumar charuto eu faço, mas uma vez ou outra faz bem pro espírito.
A gente não sabe nada, nem nunca vamos saber. Porque o tal ser, dito humano, não se contenta com a sua matéria limitada, mas que teima em ir além do que a mesma pode oferecer? Não to pregando o conformismo, porque eu mesmo sou um inquieto da alma, desde que papai e mamãe me puseram no mundo. Enfim, como diz em Eclesiástes, para alguns teólogos o livro escrito pelo Sábio, sabe, o tal Salomão, aquele parece que entendia do assunto. Só de esposas ele tinha setecentas e concubinas, trezentas, para os que duvidam, segue a passagem bíblica I Reis 11:3... Pois é, falava de Eclesiástes, lá diz assim: “Tudo é vaidade, aflição de espírito e passa como o tempo.”. Enfim.
Mas sabe o que eu queria dizer mesmo? Tom Jobim diz por mim:
“Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração” – Retrato em Branco e Preto
Posted by Postado por
[M]. Atahualpa
às
20:48
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sarcasmos