quinta-feira, 26 de março de 2009

Ponto de Fuga

Ao som de "The Messenjah" da P.O.D

Se eu disser que a vontade que me vem é a de abraçar o SENHOR, e ficar lá abraçado. Como se o próprio Deus conseguisse assumir forma material e estivesse bem aqui. Escuto e não escuto muita coisa sobre o mesmo, sobre sua benevolência, o quê se deve e não deve fazer diante Dele... E, caramba, nunca vi sociedade tão burra quanto a que estou inserido.

Eu vivo e faço parte de algo taxador, aristocrático, hierárquico. Como? Bem, Deus me é passado desde criança como algo julgador que se não for feito segundo sua vontade... O inferno então nos espera. Eu vivo e faço parte de algo preconceituoso e burro, onde todo dia conceitos sobre o mesmo surgem e eu me pergunto o que estamos cultuando ou em quem estamos crendo. Quem sabe tanta filosofia revestida de falsa cristandade e espiritualidade estejam convertendo vários ao agnosticismo, neo-paganismo, ateísmo, renovações carismáticas, entre outras várias formas de pensar. Grande coisa!

A vontade que eu tenho é de abraçar o SENHOR, e ficar lá, parado, em pé, como se o resto não existisse. Posso dizer por alto o porquê de tanto buscar refúgio; para Ele posso confessar o quanto sou bobo, volátil e fraco. Por vezes eu preguei o investimento em si próprio, na maturidade, no espaço, no respeito, na razão... Eu tão burro e o pior de todos. Mas calma, não é crise de consciência, apenas uma forte vontade de reconhecer tal fragilidade, querer e tentar ser mais, tentar reparar erros, tentar esticar as pernas e dar outros passos que as mesmas possam dar.

Observei como por várias vezes o “não” veio com força na minha mente. O mesmo “não” não desanima, mas alerta, engrandece o espírito, amadurece e dá freios ao ego. É engraçada a nossa arrogância em insistir e criar realidades, sempre conivente com o nosso querer e forçar esse querer a tentar ser real! Engraçado muito engraçado, mais ainda porque parece fugir da mente a certeza de que tudo é resultado de uma ação. Mas qual ação? Tal ação pode ser contemplativa ou ativa, portanto quando dobro meus joelhos em secreto no meu quarto estou sendo contemplativo (passivo) em apenas rogar a este mesmo Deus que quero estar mais do que nunca perto, rogar a Ele algo que meu ser deseja, ou achar ser necessário. E tem a ativa (referente à atitude) que é quando eu abro os meus olhos e de onde eu estiver, me levanto e ponho a fazer aquilo que pedi e intercedi. Mas como se sou arrogante, se sou imediatista e fraco em não conseguir fazer só?

Eu destruí algo que agora me causa vergonha, repulsa até em ver-me no espelho, infelizmente, de forma tardia a razão acusa o erro; eu roubei o tempo para mim e fiz dele um brinquedo... Pode isso? Sim, eu brinquei com o meu próprio tempo e fiz de mim o maior dos tolos. Nada que a minha ciência não me faça fazer errado. Nada que a minha condição de ser humano inquieto, não me force a fazer o que por vezes eu mesmo já provei ser errado. Persistência? Burrice? Estupidez? Pode até ser... Acreditar que por algum motivo batendo nessa rocha, tiraria então água? Possivelmente. Ingenuidade? [...] Puta que pariu!

Mas como num golpe de misericórdia, do mesmo Deus que fala constantemente comigo, mesmo quando não quero ouvir, por esse golpe de misericórdia eu reconheço o erro, reconheço a fraqueza, reconheço e tento agir. Finalmente sair do status contemplativo e passar para o ativo. Eu preciso estar ali, não faço disso uma obrigação, mas um desejo do fundo da minha alma. Como uma segunda pessoa a conversar e me admoestar mostrando o caminho que eu realmente preciso seguir, enaltecendo Aquele que deve estar a minha frente.

Eu preciso ser matéria de conforto, de iluminação da mente, mas preciso ser primeiro para mim. Então o que eu sou? A alegria invade o meu ser, pois eu sei que meus erros são reparados com muita força em acertá-los e corrigi-los. Mas será que poderia voltar no tempo e fazer tudo diferente? Rever e ter algo interno que me faz falta, deixar de conhecer algumas pessoas, deixar de lado certas decisões que respondo por suas conseqüências agora, deixar de lado minha arrogância e me auto-aconselhar para finalmente saber que eu sou o que eu também escolhi ser... Aceito a condição.

6 comentários:

Nadezhda disse...

"eu sou o que eu também escolhi ser... Aceito a condição."

Essa é a parte que as pessoas não entendem

;)

ninguém.se.importa. disse...

Nossa engraçado como seu post veio a calhar para mim...não tem explicação racional, simplesmente é Deus!
Texto Maravilhoso!

Nanda Assis disse...

adorei seu comentario la no meu blog, vc me parece ser um homem firme de ideias diferentes assim com eu mesma rsrs.
gostei muito de ti.

bjosss...

Mary West disse...

E agente as vezes tem que apenas ceitar e remar com a maré e naum contra ela.

C. Camargo disse...

sou o que escolhi ser e aceito a condição...disse tudo...

sempre q paro e falo com minha loucura, por assim dizer, lembro de várias pessoas que me falam sobre evolução da humanidade...ao que perante isso, realmente naum consigo perceber onde está a evolucao no sentido moral do ser humano...com todas as barbáries q ocorrem em nosso mundo, muitas vezes sinto vergonha em existir no mesmo...se formos analisar numa conjuntura geral, a media de bondade e maldade ainda está muito longe de nosso propósito maior...

um abraço irmão, e obrigado pela visita e pelo comentário no meu blog...
apareça sempre...

http://hrbher.blogspot.com

Mara disse...

É engraçado isso da gente querer voltar atrás e corrigir alguns erros, a gente nem para pra refletir quais coisas constituem o nosso ser, como me tornei a ser o que sou.
Acertos,atitudes, influências, escolhas, injustiças por quais passamos, nosso erros, principalmente eles, fazem nós sermos um ser tão peculiar, em muitas vezes digno de um orgulho e satisfação pessoal.
Aprender com os erros,repará-los já é o suficiente, se voltarmos atrás pra corrigir e fazer diferente, já faria com que não fossemos mas nós mesmos, seriamos outra pessoa.