segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Como todo otimismo deveria ser

“Meu amor, meu amor
Não se ausentes de mim
Para que eu viva mais
Para que eu não sofra mais... ” – Tom e Vinícius

[...]

Ultimamente tenho escrito muito sobre esse músculo pulsante que mora entre os pulmões. Ultimamente tenho me visto pensando como seria uma vida seja acompanhado ou sozinho. Talvez pelo fato da minha irmã ter recebido o apartamento que ela e o namorado (quase noivo) compararam, talvez pelo fato dos meus melhores, insistentes e raros amigos estarem tão bem acompanhados e eu apenas a observar (e que bom por isso).

Eu nem reclamo, realmente não reclamo. Certa vez disse “melhor sozinho do que ter dores de cabeça por algo que poderia ter sido evitado”. Na verdade tudo é muito juvenil, e, eu tento evoluir bastante nesse ponto, sair dessa condição de estabilidade e linearidade.

Talvez isso seja uma vontade involuntária de me manter só, pelas tristes ou ótimas escolhas que não valorizei ou simplesmente não deram certo. Já passaram Winnie’s, Aline’s, Fernanda’s, Nayra’s e Dayanne’s na minha vida. Todas marcaram de uma forma única e espetacular e cooperaram de certa maneira para o que sou hoje. De nada me arrependo ou amarguro, e com firmeza digo que sou o mais afortunado dos solteiros quase convictos.

Sim, eu sou otimista quanto a isso. Digo também que sou até azedo demais, mais que gengibre para quem não está acostumado a primeira vista. Mas, digo que sou um cara legal, complico às vezes o que nunca foi complicado, e quem não faz isso? É natural deste ser humano falho e cheio mais de erros do que de acertos.

Confesso que muita coisa eu perdi, muita coisa que ainda poderia estar aqui, como parte do meu peito, seja por um desses nomes citados que talvez não soube administrar ou simplesmente não deveria ter. E se não era pra ter, que bom e que maravilhosas foram às oportunidades, beijos, puxões, chupões e mordidas. Sim eu me lembro de cada detalhe.

Apenas... Ultimamente eu tenho pensando bastante nisso, de forma involuntária e curiosa em como será o amanhã, o próximo segundo e quem será a próxima vitima a entrar nessa correria que chamo “vida”. Que desfrutará do meu mau-humor matinal, às vezes vespertino e noturno também. Dos meus surtos de arrogância e dos meus casuais e nem um pouco planejados atos de fofura, ternura de quem ainda acredita um pouco em casos à moda antiga tudo sem nenhum pingo de frescura ou melosidade, detesto essas coisas.

Tenho lido, como quem devora um prato de lasanha e bebe uma coca-cola estupidamente gelada, aquelas pra doer o dente, mas que mesmo assim é um manjar dos deuses, o livro “Canalha! – Crônicas” do Fabrício Carpinejar. Primeiro porque eu curto crônica e me sinto muito à vontade tanto na leitura como na escrita, depois pelo fato de que alguns dos episódios me contaminam, a ponto de perceber que deveria reviver mais os detalhes que tanto valorizo. Aqueles minúsculos, mas gostosos de lembrar vez ou outra.

Nessas leituras encontro o apetite que possivelmente faltava nas minhas lembranças de desgraças, do cotidiano, das guerras internas, das ansiedades e planos secretos que tento não materializar para não perder a graça da descoberta e do espanto. O novo que todo dia surge, mesmo que seja algo já esperado na apatia e mormaço que as ações mecânicas produzem, mas sei lá... Sinto falta desse puxão pela blusa, dos arranhões nas costas, das mordidas na minha boca carnuda e até mesmo das reclamações da barba que eu nunca tiro.

Escuto também aqui e ali algo que me faz lembrar episódios sórdidos, picantes, de pernas entre as minhas e sexo em público com algumas pessoas a olhar. Também me recordo que minha perna esquerda treme quando alguém, sem real intenção, passa a mão na minha nuca (meu ponto fraco), fazendo um misto de me deixar duro e ao mesmo tempo sem forças.

É tanta coisa que tem insistido em voltar à memória que acabo me sentindo como se não tivesse sal nem açúcar. Como se fosse a berinjela à milanesa que eu tanto saboreio, mas que no fundo não tem gosto algum.

Certa vez eu até escutei que para conseguir uma chance com tal pessoa eu teria que ser “investível”. Porra vai saber que merda é “investível”. Eu realmente não me ligo muito em determinações, classificações, pudores, necessidades de esse externar, de se materializar, de mostrar ao outro tudo que está sentindo, querendo compartilhar, viver, respirar, trepar, chupar, morder, chorar, desconfiar ou confiar. Na real, eu não me ligo em muita coisa, apenas em detalhes, aqueles que já se conhece, mas são eles mesmos que alimentam o dia-a-dia e nos alicia a acreditar que temos descoberto diariamente a mesma pessoa.

Enfim, ultimamente isso tem aparecido mais que de costume por aqui. Não sei se me preocupo ou me alegro, ou mesmo ostento. Não sei se me desespero ou permaneço nessa que estou: numa sensação de extremo vazio e o vazio não é o opaco, é como estar flutuando, de olhos fechados, e mesmo de olhos fechados ver somente as cores azul e branco. É estar ali e ter a sensação de queda livre, mas em posição estática entre solo e o infinito acima da cabeça.

Talvez esse vazio se prolongue, como uma educação que não pertence a pessoas como eu.

Logo eu que sou tão descrente e “desmaravilhado” com o que um dia já foi bem mais bonito, no entanto, agora parece estar mais claro, óbvio quem sabe. Um dia eu escutei “quando um coração que está cansado de sofrer encontra um coração também cansado de sofrer, é tempo de se pensar que o amor pode de repente chegar...”, enfim, a chance de sorrir internamente daquele jeito peculiar pode surgir de novo; vai saber como...

Pois é, não sei por que e para quê, mas esse tema está rondando o meu tempo, espaço, criatividade, sugando um pouco do que tô tentando não doar assim tão fácil.

Um comentário:

Mary Carvalho disse...

Corajoso você. Escolheu contar pra todos coisas que, a meu ver, são super íntimas.
Mas são bacans esses momentos em que a gente encara a si próprios e se pensa um pouco, questiona que rumo tomar. São esses momentos que precedem as grandes mudanças.
Vá em frente!
Até.