sábado, 26 de junho de 2010

“A gente quer a vida como a vida quer”

Ao som de “Triste” do Tom Jobim, interpretada pela Elis Regina


Tava pensando em monte de coisa ao mesmo tempo, e, como de costume, metade delas “evaporam” na minha mente e as que ficam eu tento traduzir em palavras... Que bom por isso, não gosto de me esquecer de nada, mesmo sendo bestas e bobas.

Pensei sobre afeto, vida, morte, sobre, desejos e necessidades; tanta coisa. Mas motivado pela música do Tom, que no caso ilustra e serve como trilha para o texto (recomendo que leiam escutando a música, dá mais sentido às palavras), os pensamentos estão aqui tentando ganharem vida concreta.

Triste é saber que ninguém
Pode viver de ilusão
Que nunca vai ser nunca vai dar
O sonhador tem que acordar”... Diz um trecho da música de modo simples, porém afiado como uma faca enfiada no peito e segue puxada com toda raiva até a garganta. Dramático não? ¬¬.

Sobre afeto pensei algo mais ou menos como insatisfação. Num sei bem como colocar tanto pensamento em palavras, mas, é aquela situação em que quando se tem não é o ter suficiente e quando não se tem, é porque a “safra” disponível pra colheita não agrada aos olhos ou visão de mundo. Egoísmos à parte eu penso que isso tudo é muito cansativo e irritante.

Esse trechinho bem aí que a Elis canta é a realidade pra muita gente. Recentemente uma grande amiga resolveu “viver”, como ela mesma diz. Não sou contra nem a favor muito menos discordo, o lance tá em como se vive e porque se vive. Certa vez também, enquanto tomava uns grodes com uma professora da faculdade e um amigo nosso, comentei ter valores e prioridades como patamares primordiais na vida. Ora vejam só, ela riu me chamando de chato. Posso até ser, mas, será que a apatia é tão forte assim para não ser notada?

É como, também, focar a vida somente a isso, a esse plano, a essa estadia, ao momento, ao estado de espírito, ao agora a todo imediatismo que faz parte do ser humano. É estranho e curioso o simples movimento de levantar a cabeça e olhar para o céu. As nuvens a se movimentar e toda aquela imensidão. Eu sou tão miudinho diante do desconhecido, e é melhor que se mantenha como desconhecido mesmo. Com toda força destrutiva e deturpadora que o ser humano tem, certas singelezas que já se perderam outras tantas deixarão de existir também.

A vida é o prenuncio de morrer, e morrer é apenas outro lado de viver uma vida não material e residente na linha do tempo e espaço, a bolha material do tempo e espaço de confinamento.

É um misto de não ser emotivo, mas se mostrar disponível a sensibilidades pequenas com grandes sensações e intensidades. A música do Tom ecoa nos meus ouvidos no modo repete incansavelmente.
Só pra me maltratar
Triste é viver na solidão
[...]

No inicio do texto comentei sobre minha amiga de longa data que resolveu ir “viver”. Na minha concepção esse “viver” não passa de necessidade, vontades e desejos. Nada muito interdependente, apenas a carne falando mais alto. Isso me faz lembrar a música Comida, da Titãs. Insistentemente se canta no fim da música:

Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade
Necessidade e desejo
Necessidade e vontade

No tempo de “viver” a carne fala mais alto, o estado sensorial se torna gritante e a libido precisa sair de algum jeito ou forma irracional. Sim, eu me importo com essa minha amiga e os rumos que as coisas podem tomar se não houver o mínimo de senso da parte dela. Mas como a própria diz: “Certas pessoas aprendem apenas observando, outras aprendem apenas quebrando a cara repetidas vezes”... É, pois é né, fazer o quê.

Enquanto isso, dando continuidade ao que não tem fim, a esse sarcasmo constante, ironia e jeito malandro de se desviar do dia-a-dia que é pior que uma lamina afiada rasgando meu peito até a garganta, me aproprio de mais um trecho de uma música do Tom:

Eu nunca fiz coisa tão certa
Entrei pra escola do perdão
A minha casa vive aberta
Abre todas as portas do coração”... Ou seja, tudo é vida, tudo é insistir e desistir, observar e agir, tocar, excitar e acalmar... Paz a todos e obrigado por retornarem ao SSS.

Um comentário:

Mary Carvalho disse...

Acho que esse teu post tem bastante relação com o anterior, sobre a arte de esperar. Realmente, esse "viver" tem mais a ver com libertação de desejos, e porque não com ansiedades, insegurança.
Bom o texto, e a trilha sonora! ^^
Até.