quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lorota por lorota no Bloco do Eu Sozinho

Além de ser assessor de comunicação e imprensa da Superintendência do IBAMA no Maranhão, agora também faço parte de uma Agência de Notícia da Infância que por acaso também é uma ONG. O bom disso é que posso participar duplamente como imprensa de seminários, debates, congressos sem desembolsar um tostão.

Pois é, a da vez é o I Seminário Brasileiro de Justiça Juvenil Restaurativa. Fico contente que essas coisas a nível nacional, tão importante para a causa em prol da criança e do adolescente no Brasil estejam sendo discutidas aqui, em primeira mão, em São Luís. Numa dessas oficinas e mesas redondas, pude assistir a apresentação do Marcelo Amorim (Agência de Notícias da Infância “Matraca”) e do Adriano Guerra (Oficina de Imagens), também parceiros da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).

Eles palestraram sobre o “Papel da Mídia e a Construção de uma Cultura de Paz”, tema esse que entrou em conflito com muita coisa pertencente a mim, eu enquanto natureza tendenciosa ao erro à contradição, ou seja, ser humano. Certas observações feitas pelo Marcelo me intrigaram, enquanto ele fazia um discurso de quase 35min (dos 20min destinados a cada um dos dois), fazia anotações frenéticas para não perder a idéia e prováveis perguntas futuras.

O conflito é necessário para legitimar a pluralidade das idéias e diversidade cultural”. Disse Marcelo parafraseando o Gandhi, um dos principais militantes em favor da Cultura de Paz. Eu que amo destruir, eu que vez outra dou fim as minhas pendências com punho fechado, eu que sou naturalmente irritado e vingativo me vi contrastar com simples dizeres eficazes quanto a conduta do “dar a outra face se alguém te bater em uma delas”, já dizia o Cristo.

A paz dá-se nos detalhes, e, “não há caminho para a paz. A paz é o caminho”, parafraseou mais uma vez ele o Gandhi. E qual paz eu tenho, se não a paz que eu mesmo crio e cultivo, seja como for a intensidade cor e forma.  Certas coisas se você descobre acabam perdendo a graça.

Confiança no ser humano em todos os níveis gera harmonia e dessa vez me aproprio de uma passagem do Bernardo Toro que diz assim: “Toda comunicação busca transmitir um sentido que seja reconhecido pelos outros. Eu me afirmo quando o outro me reconhece e vice-versa. Uma sociedade que aprende a se comunicar de muitas maneiras sempre encontra uma forma para solucionar pacificamente seus conflitos”.

O lance é aceitar mesmo que não se seja aceito, tudo porque o ser interessa mais que o ter em sentido de quantidade porque a qualidade define o caráter e o valor ali dado.

E, infelizmente, o ter é mais importante que o ser, assim como aquilo pelo que batalho é o ter porque a minha confusão em ser humano tende a isso como a de qualquer um. O ter se confunde com o ser, mas o ser nunca chegará ao ter porque o ter é passageiro enquanto que o ser é mutável sem perder a essência.

O ser evolui o ter atrofia e entra em estado de obsoleto.

Pensei, pensei e repensei, vez outra me sobrevinha como insights trechos irritadiços a música Miedo, parceria entre o Lenine e a Julieta Venegas, cantora mexicana nascida em San Diego na Califórnia. É como se a vida em si fosse uma piada de mau gosto onde todos olham para os próprios umbigos. Mas, é aquela questão também, segundo o Einstein: “Penso 99 vezes e nada descubro. Deixo de pensar, mergulho no silêncio e a verdade me é revelada".

Enfim, tanta lorota não caminha pra muito longe né? Enquanto isso, eu sigo com minha boemia ao som de Sinatra, Jobim, de Moraes e temas de “malandro” ou “vagabundo” do Buarque além do bom e velho Rock’N’Roll.

2 comentários:

Secoelho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Secoelho disse...

Olá, Marcos
Estou devendo a visita há muito tempo, não é? O mais legal é que a minha visita caiu exatamente em um dos melhores textos que já vi no teu blog. Quantas reflexões legais!

Atualmente, penso que tu estás trilhando o caminho perfeito como jornalista: IBAMA e Matraca. Imagina quanta coisa boa não dá para fazer nesses dois locais, não é verdade?


Com relação à questão da cultura de paz, bem, essas são sempre questões que me intrigam. Queria que o mundo fosse como a Matraca e a professora Vera Salles pregam. E poderia ser, como você bem disse, se o ser fosse mais valorizado que o ter.

A constatação desoladora de que o ter é o que em grande parte define o ser atualmente, me fez chegar ao meu mais novo blog em que falo sobre consumo. Mas a minha idéia não é só disseminar ideias idiotas como: compre! Queria, na verdade, mostrar como é possível pensar bem antes de comprar. E comprar também, porque é só isso que a gente faz atualmente.

Enfim, adorei. Assim que tiver um tempo, estava pensando em me oferecer para fazer uns trabalhos voluntários na Matraca. Admiro muito o Marcelo ^^

(perdoe eventuais erros)