sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Andar Sob A Chuva

Ao som de "Doce Solidão", "Janta", "Saudade" e "Santa Chuva"... Todas do Marcelo Camelo (recomendo o disco solo dele, intitulado de "SOU"), "Judas" do The Verve e "Idade do Céu" do Paulinho Moska



Andar sob a chuva requer prática e conhecimento, ser quase um expert na arte. Você não pode simplesmente sair batendo os pés de poça em poça, sair gritando, sorrindo feito um louco apenas porque está debaixo da chuva, revivendo seus instintos infantis. Não! Andar na chuva requer uma comunicação com o seu próprio espírito, sua essência.

Mentalize alguma música, algum ser, mas ao mesmo tempo, esvazie-se de qualquer pensamento ou sentimento, esteja realmente vazio, oco, não sinta nada... Cada gota tem uma história para contar, cada gota tem um sermão, um conselho, um beijo para ser dado.

Se possível comece  a berrar a cantiga que você gostaria que todos escutassem. No meu caso seria “Santa Chuva” de Marcelo Camelo, pois andar na chuva é uma arte introspectiva, solitária, nostálgica, bucólica... Tanto bucolismo estraga a alma, mas antes dela começar a definhar, respire fundo, olhe para a direita e depois esquerda, assim com bastante calma. Cada gota quer muito conversar com você, te contar segredos, aqueles sussurrados ao pé do ouvido.

Não reze, não preze, não corra nem fantasie. Viva seus bucolismos, sentimentos pensamentos ou a falsidade deles, pois a beleza em essência de andar sob a chuva está aí, sentir o que você gostaria de sentir, cantar em alto e bom som o que você gostaria de cantar... Desejar para outrem toda e qualquer forma de romantismo que o momento faria brotar. Se não tiveres nenhuma mão para segurar, apóie as suas por detrás da cabeça, como se estivesse numa cadeira de balanço e saia por aí andando bem devagar, sorrindo.

Com sua mente vazia, com seu corpo oco que aos poucos irão brotar novos seres, desejos adversos, pois a chuva é medicinal, instantânea, mágica!

Como eu queria que você estivesse aqui nessa chuva fazendo o mesmo comigo... Porém na falta de chuva, vá ao terraço da sua casa, pegue uma mangueira com jato d’água bem forte e chuvisque em cima de você mesmo. Sorria, este é o seu ensaio sob como andar sob a chuva, totalmente oco, de mente vazia e ao mesmo tempo repleto de sentimentos, músicas, e pessoas ou uma só! Cada gota ainda pode querer conversar com você, assim como conversa comigo... Assim, sussurrando, ao pé do ouvido. Creia apenas!

4 comentários:

Mary West disse...

Adoro chuva, por mim o tempo poderia viver nublado. Já que na minha cabeça tudo é assim mesmo.

LEKUS CONCRETO E POESIA disse...

o som é a única origem do verdadeiro sentimento, pois mesmo antes de haver qualquer intrumento e qualquer outro vesttigio o homem ouve o som mais proprio, o dos seus instintos!

Pedro Favaro disse...

Nossa... tive um click de identificação quase imediato com teu blog, véi.
Muito bacana, limpo bontio e bem escrito.
Parabéns

Pedro Favaro disse...

ops... estou testando novos lay-outs...hehehe
juro que não vou copiar o seu mas estou tomando uma surra deles. Devo voltar pro meu antigo!
Você meu pegou desprevinido hehehe

Abraços