sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Excentricidades e Metanóias à parte!

Ao som de "Prove Yourself" da Radiohead e "Take My Life" da Third Day





De eu desconfiar que Deus seja um ser excêntrico, isso eu sempre tive suspeitas. Não pelo fato de somente aqui, e hipoteticamente apenas aqui ter criado vida inteligente, mas pelo fato de ter nos criado, ter no determinado momento, que não existe em sua eternidade (não temos ciência do que é eternidade, tem coisas que só a morte responde); em sua própria vontade fazer um ser totalmente complexo e ao mesmo tempo simples onde ali ele habitaria e teria como obra prima das suas várias criações.

Eu me pergunto qual o real sentido de eu pensar e indagar sobre estar vivo. Mas calma isso não é crise existencialista, é apenas um bom dum passatempo, no qual eu indago sobre minha vida, o universo, cada fio de cabelo e blábláblá.

Certo dia estava olhando para o teto enquanto tentava dormir, mais uma dessas noites em que a insônia me dá socos fortes. Em determinado momento me peguei conversando com Deus, olhando fixamente para o teto, gesticulando, às vezes até xingando. Sim, meu vocabulário é pesado em algumas coisas. Perguntar a Deus qual a essência da vida é o mesmo que perguntar a si mesmo como é morrer. Morrer é um mistério, um trauma, de tão constrangedor que se torna belo. Isso não é morbidez, é vê-la apenas como o ápice, a apoteose que é ser um ser dotado da razão, do poder de ir e vir, de criar e destruir.

Muita gente tem seus "amuletos", suas crenças, e olha que existe crença pra tudo hoje em dia. Que dirá a crença na religião do Santo Daime, que está aí desde o século XIX se não me falha a memória. Por vezes eu indaguei a mim mesmo sobre o que é certo e errado, o que devo e não devo, testemunho e falso testemunho, livre arbítrio... O ser humano precisa de fé! O problema está em onde depositar essa fé. Fé é qualquer coisa que necessariamente cremos sem ver, como a própria Bíblia diz em Hebreus, capítulo 11, versículo 1 "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.". Fé é o fundamento que nos mantém vivos, que faz a esperança ganhar força e insistir no dia de amanhã ou insistir em algo que nem mesmo temos tanta firmeza em alcançar. Fé é qualquer coisa que nos mantenha no alvo.

Pecado, erro, tentação tudo isso existe, mas está inserido num código chamado Doutrina. Código que nos é passado ainda quando criança ou depois de adultos. Esse código diz respeito à cultura, estilo de vida, convicção das coisas que nem mesmo esperamos para nossa vida. Deus é uma coisa estranha para cada ser humano. Comunicar-se com algo que não ouvimos, tocamos, vemos, e mesmo assim sentir a presença, ver os acontecimentos na vida, notar nos mínimos detalhes ínfimos como Ele está ali, como à desgraça maior da vida, pode ao mesmo tempo destruir, mas abrir os horizontes da mente para algo maior.

É engraçado observar a vida em si, é engraçado imaginar-se como um pequeníssimo grão de areia no meio do planeta Terra. Você lá sozinho, um único grão de areia no meio do planeta, bem no meio, e o planeta vazio, sem nada, só várias e várias névoas escuras. Imagine então agora como é o nosso planeta, a nossa presença diante da imensidão que existe lá fora. Imagine agora nossos problemas diante dessa imensidão, nossas necessidades, medos, incertezas, amores, frustrações e pecados. Deus é um ser excêntrico pra mim, tão excêntrico que nos fez aqui, perfeitos e livres para optar pela imperfeição, quer de nós um louvor sincero e convicto, mas gostamos mais de um doce pecado na carne, na maioria das vezes, do que uma repreensão de um Pai zeloso e amoroso.

Eu me pergunto se viver é apenas isso, se estar inserido nessa bolha material do tempo diz respeito apenas aos nossos deveres de ir e vir, na responsabilidade de cuidar da vida do próximo, assim como cuidamos da nossa, de dar testemunho a todo tempo em prol de uma vida que um dia iremos desfrutar na eternidade. A mesma eternidade que achamos ser viver para sempre. A essência humana ao mesmo tempo que bela, é patética, pequena, imatura. Crê em evoluções que não se concretizam.

Chego então à conclusão que sou apenas um simples jovem de 21 anos ansioso por viver, experimentar daquilo que chamo vida, o que ela tem a me dar, pois eu não espero muita coisa dela. Isso não é apatia, não é crise existencial, não é saturação nem nada. É apenas tentar ver tudo como um algo mais, tentar romper a barreira do senso comum, permitir que aquilo que dizem usar apenas 10% (psique), fertilize e contagie. A quem diga que o próprio Deus não existe. Mas como se ele está em cada célula, em cada complexidade e defeito nosso? Sim defeito, pois o defeito é decorrência do nosso livre arbítrio, esta coisa que sufoca e liberta ao mesmo tempo.

Eu tive uma das conversas mais estranhas da minha vida, com Deus na noite passada. E então pensei: Se ele me fez assim é porque ele sabia do meu começo meio e fim. Se ele me fez assim, mesmo hedonista com uma libido acima de 100% o tempo todo é porque ele sabia do que eu poderia causar criar, destruir, cooperar para o Reino, cooperar para a ilusão que muitos dizem ser, que é o crer. Não estou escrevendo para que os outros creiam em Deus, ele não necessita ser provado, nós é que sentimos uma necessidade descomunal de provar nossas convicções. A vida, a existência de tudo é tão pequena, tão baixa para ter de se preocupar com o amanhã. Tudo que eu digo é "Permita-se Viver". Independente da sua fé permita-se viver, creia naquilo que te trás segurança de um amanhã de sentidos lógicos, mas se quiser crer em Deus e segui-lo, use a razão. Não caia no senso comum da religião, Deus vai além de concepções humanas, Deus é para se sentir e viver. Não se preocupe quanto ao fato de deixar de fazer certas coisas etc., preocupe-se apenas em cultuá-lo, em procurar conhecê-lo, o resto é resto.

Refletir de vez em quando faz bem. Ir além daquilo que está na nossa frente, nos olhos de quem vê...

5 comentários:

Faell disse...

E é exatamente o que somos. Apenas grãos de areias perante a imensidão do mundo. Permitir-se viver, hoje, talvez fosse a melhor saída pra fuga dos problemas. Pensamos muito no amanhã, o hoje, deixamos passar, como se fosse apenas rotina. Acordar - fazer o de sempre, acordar - fazer o de sempre. Uma vez, olhei/li (sei lá, não lembro) uma frase: O amanhã não existe. O amanhã é o agora, Hoje, é o amanhã de ontem. Então, viver o hoje. Esse sim, é o grande lance ^^

Excelente texto, Marcão.

† nane-chan † disse...

^^

C. Camargo disse...

e seu texto me fez lembrar do agnosticismo...filosofia que determina que a alma humana é incompetente ainda para conhecer o absoluto...que ainda não evoluímos o suficiente para entender todos os propósitos e verdades acerca do universo...

muito bom...abs

http://hrbher.blogspot.com

[M]. Cartágenes disse...

Não seria bem Agnosticismo, mas acreditar na Santíssima Trindade mesmo, desprendendo-se de qualquer superficialidade de conhecimento! Existe bem mais a ser descoberto sobre qualquer coisa, até sobre o próprio Deus.

Mas agradeço mesmo assim por ter visitado meu blog e comentado!

Paz!

Mary West disse...

Oi? Tu vai por inferno por este texto.

Te espero lá. É open bar. :D