segunda-feira, 26 de abril de 2010

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Certa vez li no blog Badulaques o texto “Machismo Feminino?” do Gildson Jr. onde ele aborda exclusivamente a questão comportamental do homem e da mulher no contexto atual. Será que corremos riscos de vivermos resquícios desse machismo ou feminismo? Sinceramente, eu admiro demais o modo como ele e a Mary Carvalho (a real dona e idealizadora do blog) escrevem. Eles conseguem sintetizar em curtas frases e textos o foco e objetivo sem que fique vazio ou rápido demais, tornando a leitura simples, clara com pontos de vista firmes e expressões sucintas... Um dia eu chego lá.

Pois bem, o texto, como já disse, aborda a questão comportamental do homem no sentido geral do ser em si dentro do contexto atual. Em especial relacionamentos ou interesses amorosos. Lembro-me que até comentei sobre pagar conta de despesas econômicas durante algum encontro, enquanto aquele “migué” ou “lábia” acontece (ou posteriormente caso o fato chegue a se transformar em algo mais sério). Lembro-me também ter indagado “Qual mulher não gosta de ser cortejada, que homens sejam atenciosos e prestativos?” e “Qual homem não gosta de uma comida muito bem preparada e alguém que cuide dele?”. Tudo é questão de índole.

Acredito que deva sim, por obrigação de ambas as partes, existir respeito e cumplicidade porque elas fazem gerar outros tantos adjetivos que favorecem o crescimento pessoal e do próprio relacionamento em questão. Uma vez eu escrevi em algum texto aqui pelo Seco/Sarcástico Simpático mostrando que gosto de pessoas com mentes livres, que busquem um pouco de altruísmo. Ou seja, que tem plena consciência do que quer e como quer. Sem necessariamente precisar de mim, seja por conveniência ou por achar que precise. Prefiro que alguém esteja comigo por existir algo saudável, agradável e cooperador a fim de levar ao amadurecimento mútuo, portanto, companheirismo.

Tem uma música da banda britânica Radiohead, a “There There”, e em determinado trecho está escrito assim:

O Céu enviou-te para mim

[...]

Nós somos acidentes

Esperando

Esperando para acontecer

Nós somos acidentes

Esperando

Esperando para acontecer.

Como todos bem sabem a Radiohead é uma viagem extremamente intimista, banda pra fã mesmo. Porque não é todo mundo que consegue sentar na areia da praia e ficar hipnotizado pela sonoridade e delicadeza da música enquanto todos jogam bola, pegando um bronze e tomam banho de mar... A música acaba se transformando num perfeito casamento entre letra, melodia, compasso, arranjos e claro, os clássicos efeitos psicodélicos que a banda sabe fazer muito bem.

Motivado pelo texto do Gildson eu me apropriei dessa viagem, coisa que faço naturalmente, pra dizer que infelizmente tudo parece descartável demais. As pessoas hoje em dia são como copos de plástico, desses que se usa para tomar algo líquido e depois ser jogado no lixo. E tem mais, se você quiser algo personalizado e duradouro, vá até um grande supermercado e compre um copo de vidro bem enfeitado.

Talvez por isso exista essa sobreposição de egos, de quem manda ou deixa de mandar. Tento realmente não me envolver com essas coisas nem dar ouvidos àquelas velhas conversinhas de menininhas bobas que são cornas e mesmo assim insistem em estar com o mesmo cara. Ou que se frustraram com alguém e tocam o puteiro na vida, de forma tão sem graça e vazia, como qualquer outro menininho de merda por aí. Essas posturas independem de idade e situação econômica, a meu ver.

Eu assumo ser um cético nessa área, porque me habituei a isso por conta de uma inconstância afetiva e outros inúmeros fatores. No entanto, essas coisas não me privam de ainda querer um pouco de suavidade, a sensação em ser cuidado, zelado, lembrado mesmo que com frases curtas e rápidas num telefone ou tecnologia virtual.

Ainda prezo por algo mais singelo sem ser grudento ou besta. Tento não ser saudosista com esse assunto porque ele é muito taxado. Como disse anteriormente, é tudo uma questão de índole. Penso que ser seletivo neste aspecto é bom para evitar dores de cabeça que são sim evitáveis. Não acredito em muitos desses mitos como “os opostos se atraem”, muito menos cogitar preferir uma pessoa de acordo com as expectativas. Ninguém vai morrer por isso ou por conta disso. Sobre isso, me aproprio da mesma opinião da Mary, que enquanto conversávamos, notamos que o melhor viés é observar e agir, nunca perder tempo pensando ou confabulando.

Penso que o texto do Gildson, caso o tema fosse melhor explorado, poderia se transformar numa série, dessas que publica-se tópico por tópico onde cada ponto é um texto em potencial. Até porque isso balança com nossos padrões, valores e modos de ver o que está ao derredor. O ser humano em si é algo muito interessante. Se algum dia alguém sentar numa praça num fim de tarde qualquer e tentar se esvaziar de todo e qualquer ponto de vista próprio... Pôr-se apenas a observar como um espectador irá perceber de imediato como tudo é um quadro, como somos cômicos e limitados, repetitivos e mesmo assim bastantes bonitos; apesar de tanta decadência.

A verdade é que eu pouco me importo se é machismo ou feminismo. Preocupar-se com rótulos é atestar um atraso de vida. Acho que viver cada detalhe como se fosse o único, apesar de muitos serem rotineiros, acaba por ser algo revigorante. A postura de cada pessoa determina o valor que ela carrega interiormente. Para tanto, um pouco de bom gosto, bons modos e ser seletivo ajudam a evitar esses entraves que são um retrocesso e dificultam o amadurecimento de outras tantas áreas; desde a amorosa até viver em sociedade com diferentes tipos de pessoas e seus credos, posturas, visões.

Um comentário:

Mary Carvalho disse...

Primeiramente, quero agradecer muito pelos elogios e sugestões ao Badulaques, valeu mesmo! Segundo, pensando bem, concordo com vc quando diz que existem pessoas descartáveis. Entendo sua opinião e opção ao procurar se livrar dos rótulos e das pessoas que buscam esse rótulos, é algo realmente enfadonho. Na nossa conversa eu deixei por alto o que vou enfatizar aqui: realmente o que importa é conhecer pessoas com opiniões próprias, mesmo que diferentes das nossas, que pensem antes de agir, sem confabular, mas que tenham atitude.

Adorei o texto, e mais uma vez, obrigada!

Até!