segunda-feira, 20 de setembro de 2010

“Ventura”

Ao som de All I Need da Radiohead




Você é triste? Existe tristeza? O que é tristeza?

Tava lendo a Bíblia dia desses e li em Provérbios 17:22 que “O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido seca até os ossos.”. Bem, eu fiquei me perguntando o que seria alegria ou o que seria tristeza. Talvez por serem coisas abstratas e pessoais demais, eu ouso então não denominar. Não faria nenhum sentido!

Existe alegria para tanta coisa assim como tristeza para muitas outras. Perguntar-se o porquê e o quê de cada uma seria até uma afronta ao questionado, porque simplesmente não existe resposta. O máximo que se pode e irá ser feito é olhar para o próprio umbigo, dizer qualquer coisa baseada em conceitos próprios. Somos egoístas o suficiente para sempre que datarmos um exemplo ou opinião, independente do tema ser geral ou não, o “eu acho” sempre vem no comecinho.

Dizem as más línguas que astral bom atrai e contagia, astral negativo afasta e contagia bem mais que o bom. Energias e sinergias, corpo fechado ou aberto, misticismo e neologismos espirituais, tudo isso é balela. Tô falando de alegria, de tristeza. O que por diabos regem essas duas condicionais? Sim, são condições, estados da alma dependentes de um terceiro ou segundo fator.

Assim como para se crescer depende-se de que um caia, para se sorrir o outro deve ficar cabisbaixo e vice-versa. Mais uma vez tomo como exemplo a postura dentro de um caso a dois, homem-mulher. São egos, verdades, alegrias e tristezas querendo ser sobrepostas e relevadas, ouvidas e afagadas. Logo é obvio que o senso de alegria e tristeza de um queira dominar o outro tudo para se conquistar atenção, um ouvido, um ombro amigo, “alguém que me entenda e aceite como sou” dizem todos e todas!

Você é alegre? Existe alegria? O que é alegria?

Existem mil alegrias e mil tristezas, cada uma com sua particularidade e imediatismo. Ainda seguindo uma leitura nada convencional da Bíblia, li em Safonias 3:17, “O SENHOR teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo.”. Ora, como se não bastasse a minha vontade e o meu querer, o meu ego que coage o senso do que deve ou não ser alegre ou triste, aquilo que eu quero que seja alegre ou triste e que outros possam me ouvir e se compadecer disso para que eu enquanto ser humano egoísta e imaturo não fique só, porque então temer?

Porque então atribular o meu peito nervoso por algo ou alguém sendo que os problemas quem cria somos nós? Sendo que os valores e prioridades são um e eu tento inegavelmente transformá-los em dois? E isso independe de ser eu ou quem lê esse texto, diz respeito ao ser enquanto essência, enquanto alguém, dotado de livre arbítrio e querer próprio pra ir e vir e fazer da vida uma putaria ou um momento breve de prazer racional.

Porque se afligir se é possível se aconchegar como quem procura o peito daquele(a) que se guarda afeto ágape? Tudo parte de imediatismos, de necessidades humanas, do meu querer em saciar o que não se sacia porque a necessidade é como um vicio: quanto mais se tem mais se quer até finalmente provocar uma overdose de tanto ter sem realmente ser... Ser um só!

Eu só queria saber porque nos importamos tanto. Queremos mesmo é sombra e água fresca, reclamar de nossas barrigas cheias e aproveitar o conforto de nosso cafofo antes que ele caia sobre nossas cabeças. A vida nessas horas mais parece um apanhado de retalhos que cortamos aqui e ali pra forjarmos autenticidade.

Só acredito que um pouco de calma funciona. Guarde sua adrenalina para quando realmente tiver que gastá-la. Guarde seu fôlego para quando realmente tiver que perdê-lo. Guarde o seu peito e o que nele habita quando realmente achar que com tal pessoa não se tem mais o que perder a não ser a si mesmo. Guarde sua vida porque ela é única coisa realmente sua. Guarde seus conceitos pois eles nem seus são, somos apenas cópias de um mundo pré-estabelecido, como sardinhas enlatadas, espremidas para cabermos com outras 10 num espaço de 5.

De fato, acalmei e tranquilizei a minha alma.”, Salmo 131:2.

3 comentários:

Nanda Assis disse...

adorei a leitura de hj. ensinamentos divinos.

bjosss...

ana lú disse...

"Assim como para se crescer depende-se de que um caia, para se sorrir o outro deve ficar cabisbaixo e vice-versa"
Sádica atração.
Os alheio se importam demais com tudo isso.

Sabe-se lá quando será preciso adrenalina e todos esses estados extremos que passamos. Discordo do guardar, concordo com o não reprimir.

Belo desabafo :)

O Santo Forte disse...

Muito bom texto adorei vou ficar dando umas passadas aqui...