segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Titi-Mumu"

Rapaz, vou ser sincero contigo, to cansado, to com sono, por isso, se soar sensacionalista demais, pode xingar, pode deletar, pode denunciar, pode mandar fechar esse blog.

Cá estava eu em mais um domingo de tédio em meu quarto, lendo a ISTO É da semana, e me deparo com uma matéria mui divertida sobre os estudantes que tomaram a reitoria da Unb e, digamos assim, enxotou o reitor, mais conhecido como Timothy Mulholland, ou como eu prefiro chamá-lo, porque o nome desse cara é mais complicado que o meu, Titi-Mumu!

E a discussão rola, e discussão vem e vai, desce e sobe. Final das contas, o reitor vai embora, como se não fosse pouco, os estudantes reivindicam o direito de votar na escolha de um novo reitor. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, “eles corriam o risco de transformar uma bela vitória numa grande derrota.”. No entanto, segundo a crônica idealista de Leonardo Attuch, isso pode até acontecer, mas o que ele chama de “movimento estudantil de resultados”, que dá as caras na Universidade Federal de São Paulo, é simplesmente a falta de uma ideologia revolucionária, ou seja, (agora o meu ponto de vista, podem descer o cacete se estiver errado), o centricismo puro, não filiação a partidos, apenas a simples vontade de reivindicar o melhor não apenas para si, mas para o outro, como um se todos fossem um só, mas que ao mesmo tempo não o são. Uma manifestação individualista e pragmática.

Aí você se pergunta... O que isso tudo tem haver? Na verdade, foi lendo isso que eu percebi o mar de descompromisso, apatia, egocentrismo e desânimo em que vivo, não só eu, mas como sou um puto, cara-de-pau, sem-vergonha e tirador de onda da vida alheia, englobo logo os jovens em geral.

Meu véio, você já parou pra notar como ninguém mais critica e quando critica, sempre coloca o seu ponto de vista em primeiro lugar? Tudo “eu eu eu eu eu eu eu” e “eu” de novo. “O que eu sinto”, “O que eu penso”, “O que eu quero”, “O meu mundo”, “As minhas dores”, “Os meus desejos”, “Porque ninguém me ama”, “Porque ninguém me quer”... Porra, tudo que eu tenho a declarar sobre isso é "Se você já não sabe dizer não, ao menos diga MERDA!" - Daniel Langlois.

E como não poderia faltar, eu também sou da geração “eu eu eu eu eu eu eu”. Puxa, eu sou individualista, eu sou excêntrico, eu sou um merda! Todos nós somos merdas! Eu me pergunto se na faculdade em que estudo um fudido curso de jornalismo, se de lá vai realmente sair algum jornalista, ou mais algum fudido animador de palco de rostinho fofo, homossexual e andrógeno afim de apenas divulgar seus dotes televisivos! Eu me pergunto se vou realmente ser um puta jornalista como anseio ser, se a caso vou ser metade do que Nick Tosches é (ô cara que eu boto fé). Eu realmente não sei o que vai ser dessa vida bandida que Deus me deu, mas eu tenho muito a agradecer a esse camarada de aventuras, porque eu vou te contar ô vidinha massa essa!

Uma vez eu fui participar de um movimento estudantil. Confesso que foi legal! Me tacaram pedra, polícia fechou ruas, avenidas. Foi uma gritaria, um corre-corre, mas noi final do dia eu me senti jovem. Mas tempos depois eu comecei a me auto-criticar, querendo saber sobre o que ou quem eu realmente estava me colocando como adversário; conclusão, não encontrei respostas. Aí me dei conta, sou um centrista mesmo, nenhuma filiação partidaria, meus pontos de vistas pertencem somente a mim e mais ninguém, quem quiser comungar será assim bem-vindo.

Eu observei aqueles jovens, mesmo que individualistas e pragmáticos, mas eles tinham algo porque lutar, tinham o propósito, um propósito nobre, que começou com uma simples crítica a algumas poucas lixeiras caríssimas. Tentei me enquadrar nesse meio, nessa pequena porcentagem, tentei enquadrar as pessoas que conheço e não consegui. Somos todos apáticos, observadores da desordem, não promovemos a desordem, ou seja, “movimento estudantil de resultados”, não só movimentos estudantis, mas um movimento introspectivo, um movimento metanóico. Não promovemos nada disso!

As faculdades particulares são shoppings, as públicas são repúblicas ambulantes onde todos fumam erva e bebem vodka ao ar livre, xingando Deus e o mundo, apenas esperando quando será a próxima calourada!

No final das contas, eu termino mais um post sem sentido, recheado de individualismos, xingamentos, descontentamentos, uma falta de vislumbre enorme para comigo mesmo e para com as pessoas que assisto todos os dias, sentadas em seus banquinhos de ônibus ou nos seus carros, com seus mp4/mp5/iPOD/Sony Ericsson (porque mp3 é passado). Indagando comigo mesmo (como sempre), até onde eu posso resistir a essa frente de suicídio libertário. Até onde eu posso realmente ser eu mesmo em todo seu modo grosseiro, ignóbil e romântico-bruto de ser!

3 comentários:

Víctor Hugo disse...

palavras como: pragmática,ignóbil...colocações como: ideologia revolucionária, centricismo puro...so deixam uma escolha...assumir que você realment estava lendo a Isto É!!!
heeh
te amo muleq, texto muito bom..concordo com boa parte dele!!
falouz!

Mary West disse...

Ai meudeos adorei o texto! Tb as vezes me estresso com as pessoas viciadas em si mesmo, em achar q estão mudando o mundo e tudo ao redor. Seguir com a maré as vezes faz toda a diferença.

camila chaves disse...

calma alma minha... rs.

primeiro que essa história de que as universidades públicas são repúblicas ambulantes em que as pessoas fumam erva e bebem vodka pelos corredores eu ouvia aos montes antes de conhecer e, confesso, é um espaço tão conservador quanto os shoppings centers, digo, as faculdades particulares. rs.

concordo que no movimento estudantil estejam muitas pessoas que escondem só e somente só seu individualismo por trás de um discurso reivindicatório e de transformação social. a mais mais das pelegas "representações" estudantis, a une, é um grande exemplo disso.

por fim, enquanto militante, acredito que ainda exista sim um movimento estudantil. sei que fraco e também sei que composto, na maioria das vezes por pessoas de mentes conservadoras e extremistas, daí nada caminha. mas ainda assim um movimento reivindicatório.

e por fim, para ti que queres ser um grande jornalista, a exemplo de teu ídolo... talvez um pouco mais de calma ajudasse... rs. logo tu, romântico-fofinho e de cachinhos tão bonitinhos!? talvez esse tal "modo grosseiro, ignóbil e bruto de ser" seja somente um charme. rs.

=*