sábado, 30 de agosto de 2008

Fragmentação das Cidades Modernas

O que é a necessidade de fazer feliz um momento ou pessoa se não antes de tudo o ser que deseja levar a felicidade, sentir-se bem consigo mesmo? O que é a necessidade de consumir se não o de saciar a ansiedade? O que é o ódio se não o amor ferido? O que é o amor se não estar descontente com a mesmice que a paixão proporciona? O que é servir a Deus se não a tentativa de estar perto Dele? O que a tentativa de seguir um caminho de santidade se não a vontade de ser divino? O que é a indiferença se não a luta introspectiva, solitária de simplesmente não se importar ou tentar não se importar com aquilo ou quem se ama e quer bem? O que é a dor se não o prazer na desgraça? O que é o silêncio se não o cansaço em ter que abrir a boca para falar?O que a nostalgia se não sentar num banquinho de uma praça e ficar lá sonhando ou recordando o que nunca aconteceu? O que é lutar contra si mesmo em não querer se entregar para outro ser se não o desejo de querer se entregar e fazer de tudo uma só carne? Não tenha medo de investir no que é diferente e novo.

Vivo o século do desapego que nada mais é do que querer apegar-se as coisas fúteis, imagens, roupas, conceitos, corpos, sorrisos, contas bancárias, carros, famílias, hierarquias, padrões, espiritualidades... Quaisquer destas coisas não são nada se observadas de perto.

Vivo o século onde cada ser é um pequeno universo, com seus conceitos, países, presidentes, ditadores, democracias, crenças, ateísmos, liberdades e lutas constantes para se alcançar essas liberdades. Vivo neste século, o século das guerras. Não uma guerra visível, mas aquela introspectiva, solitária entre amigos, namorados, patrão e empregado. A velha guerra onde quem entende quem, quem é melhor do que quem, quem manda em quem, quem é mais sensível ou necessitado do que quem.

Cada ser é falho no seu modo natural de ser. Cada ser é estúpido no seu modo de tentar dizer tudo o que quer, sendo que ninguém, nem homens nem mulheres, até mesmo os indecisos sabem o que realmente querem.

Vivo o século do espetáculo, onde quanto mais informação mais alienação existe. Empresas criadoras de conceitos, de informações forjam e cultivam seus espectadores como gladiadores lutando por um senhor que não suja nem mesmo suas unhas com o sangue derramado nas arenas, apenas sinalizam com o polegar para cima ou para baixo decidindo quem vive e quem morre. Tantas igrejas pregam um evangelho que elas insistem em dizer que é plural e ao mesmo tempo singular. O que elas não sabem que Deus não se entende se vive, com Deus não existem condições ou restrições, quem impõe os limites e desejos é o próprio ser.

O que é o ser humano se não indagações incompletas que não o leva a lugar algum? Criador de mesas redondas, dogmas, crenças, teorias, teologias, tudo que querem é no seu íntimo serem uma espécie de deus onde todos os adoram se importam, se prostram, se matam e correm atrás.

O que é meu amor, todo o meu ser se não a ignorância do pensar e tentar fazer dos meus pensamentos uma ação?

Um comentário:

Fernando disse...

bixo, kd o post sobre ateismo T_T