segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Presente do Sol

E foi vendo o mar quebrando no horizonte, que percebi “os dias novos realmente estavam por começar”. Ele quebrava com uma força branda. Um sol ao oeste que no momento, brincava com as suas possíveis cores, indo do azul passando pelo laranja, vermelho e por fim um amarelo bem vivo.

No horizonte deste suave, que antes estava distante, mas agora bem perto, obrigando-me a levantar e ir para mais distante; no horizonte deste mar os dias começavam a tomar forma. Dias tempestuosos, confusos, nostálgicos, corridos, com inspirações cansativas, tristes, introspectivas e céticas. Com surtos de esperança que me assustavam todas as manhãs ao acordar.

Eu não sei o porquê destes dias terem que existir. O porquê deles, o significado deles, mas, parece que em meio a todo esse turbulento temporal, o sol multicolor resolveu enfim sorrir. Cifras, notas, acordes, arpejos, como quiserem ser entendidas, todas essas coisas vinham à tona. Proporções exorbitantes de testosterona, sorrisos incompreensíveis e muito álcool foram os produtos destes dias.

O mar ainda está lá, sereno preguiçoso. Às vezes ele conversa comigo, dizendo: “É meu camarada, a vida é um menino serelepe que adora pregar peças, e você caiu em umas das maracutáias dele. Mas eu te digo, sorria, tenho boas novas. Para ganha-la (a vida), tudo que você precisa é sorrir, seja ironicamente, sarcasticamente, descontroladamente, secamente, rispidamente, todas as possíveis formas gramaticais de explicar ou exemplificar o quanto à vida é rara, mesmo ela sendo um menino serelepe que insiste em pregar maracutáias sem nexo por aí.”.

Deixe a nostalgia para lá, mas se por acaso você quiser senti-la, sinta, ela faz bem, isso se você souber controla-la, nostalgia é nada mais do que o prazer nas lembranças. Ela irá lhe perseguir, e o que você pode fazer se não sorrir para ela? Jogue com ela!

O sol no alto brilha onipotente, desconcertante, um gozador do futuro. Brinca com suas cores e pede para que eu aproveite o seu esplendor enquanto ele ainda pode explodir.

Se estes dias ensolarados não são para sempre pouco me importa, muita coisa “pouco me importa”, até eu mesmo, mas, como forma de auto curar-me, enaltecer-me, tudo que escolho é aproveitar o sol e me preparar para a tempestade vindoura que virá eu sei! Quando eu não sei, ela apenas virá, com nomes, pessoas, sentimentos diferentes ou não, mas o presente sol irá me preparar.

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