sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Psicologia das Massas

Ao som de "Superbeast" do Rob Zombie


Foi feita uma análise, mesmo que superficial, a respeito da Psicologia das Massas, tratadas por Sighele, Le Bon, Tarde e Freud. Ambos comungam de que a massa é um objeto de criação de quem domina a exemplo o Exército e a Igreja.

Segundo Freud, não há como fazer uma separação entre a psicologia social da individual, pois uma é a continuidade da outra. No entanto, ele critica os axiomas da psicologia das massas: exaltação dos afetos e a inibição do pensamento na massa. Criticando o que chama de “tirania da sugestão” como explicação “mágica” da transformação do indivíduo”, este, recorre ao conceito de Libido como forma de explicação. Libido para Freud nada mais é do que uma forma de acentuar a submissão a intensificação a da redução do intelecto. Ou seja, extração da teoria das emoções, embora a realidade não seja realmente mensurável. Tudo pode ser abrangido sob a palavra “amor”. Os laços emocionais são a essência do relacionamento das massas. Daí o fácil controle ou a necessidade de se ter um líder, alguém para seguir e ditar, mesmo diante de uma democracia política, exibicionista ou sentimental.

Para Le Bon, massa é um ser provisório formado por três fatores que levam o indivíduo agir de maneira diferente de acordo com a “massa” que ele se envolve:

1º) Sentimento de poder invencível;

2º) Contágio;

3º) Sugestionabilidade.

Le Bon faz semelhança dos povos primitivos com as crianças. A massa não exige verdades, exige ilusões e não pode passar e viver sem elas, como forma utópica de uma forma perfeita de vida ou assuntos em suas rodas de bate-papo. É como um rebanho obediente que se submete ao querer do seu senhor e não vive sem isso, onde o anseio por submissão é tão grande que a qualquer um que se coloque como chefe, ela estará pronta a seguir e servir.

Já Sighele extrapola o conceito de psicologia individual e passa para um conceito de psicologia coletiva, acomodando assim todas as violências coletivas da massa, greves operárias às revoltas públicas. Ele vê essas coisas como forma de conduzir e hipnotizar a massa. As sugestões e explicações de primeiros ajudam a monitorar cegamente os segundos, a imprensa seria uma dessas maneiras de controle cego. O contágio, a sugestão e a alucinação transformam os indivíduos tomados na massa em autômatos, em sonâmbulos. Gabriel Tarde, no entanto diz que a massa é um contágio psíquico, essencialmente produzido por contatos físicos, meios de transporte de difusão progridem com a sociabilidade, talvez por isso o Orkut.com tenha feito tanto sucesso no Brasil e não no seu país de origem (EUA).

Tarde continua dizendo que é possível fazer parte de vários grupos ao mesmo tempo e é essa complexidade que faz buscar conseqüências sobre os destinos dos grupos (partidos, parlamento, associações científicas, religiosas e profissionais). Ou seja, não se trata mais de lamentar a irrupção apocalíptica da “massa-populacho”. Ele ainda opõe-se ao conceito da sociologia positiva de Émile Durkheim, censurando-lhe afirmando que os fenômenos sociais são isolados dos sujeitos conscientes que pensam e os trata como coisas exteriores. Existe então uma sociologia organicista que lida com os “fatos sociais” exteriores que se contrapõe a idéia de um social procedente das trocas, das relações e ações recíprocas entre indivíduos.

Termino o texto com uma frase de Silvio YasuiEstaria no fato do indivíduo estar preso em duas direções por um laço emocional tão intenso. Analisa o fenômeno do pânico como mais um argumento a sua afirmação: O pânico surge pela dissolução dos laços que uniam o grupo ao seu líder e aos seus pares. O que faz surgir um medo gigantesco e insensato.".

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