terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Como diria o China: "Durmo acordo, acordo pra dormir de novo"

Insônia
Mal súbito que se apodera do sono alheio
Insônia
Minha melhor companhia de todas as noites
Sou movido pela noite
Funciono melhor à noite
Noite...
“Noite”.

Nela, minha cabeça se põe a trabalhar pelo que menos espero
Nela, eu rolo de um lado para outro na cama, nu
Nela, percebo uma mesmice incrível
Percebo a necessidade do novo que nunca chega
A começar por mim.

Afasia, neologismo, relativismo, subjetivismo, pragmatismo, etc.
Todas estas e outras mais afogam o que deveria começar por mim
Repito: Funciono melhor à noite
Noite...
“Noite”
Insônia minha, amada minha.

Engraçado, pois parece que tudo anda parado
Os rostos envelhecem, mas, o contexto continua intacto
Tudo parece e continua sendo a mesma coisa
Como uma enorme bola de mofo escondida debaixo da cama ou atrás do guarda-roupa.

Dá pra se escutar os primeiros cantos dos pássaros noturnos, morcegos
Os piados esganiçados daqueles que começam a voltar para seus esconderijos enquanto os reis do dia se preparam para mais um dia em que o bom Deus dá de beber e comer
Até que alguém os acha bonitinhos e gaiola neles.

Funciono melhor à noite
Para todos os efeitos e gozadas, sim funciono melhor à noite
Minha mente goza de festividades sinceras e secretas
Solitárias, azedas, amargas, tipo o sorriso do coringa
É à noite, na companhia do meu eterno amor fictício que me comprazo e almejo o tal vinho não bebido, o céu sem estrelas e a próxima lua cheia bem amarelada.

Tudo funciona melhor à noite. Noite... “Noite”... [...]

Meus olhos ardem
E eu devia ter feito tanta coisa para agora poder ter sono
Ao invés disso, aqui e acolá um afazer sério
Me ponho a pensar e descomplicar o que nunca foi complicado
Simplificar o que parecia oculto a mim
Hoje percebo que era mera perda de foco e direcionamento das lentes que são os meus olhos.

É à noite que penso, exercito sem realmente ter o que exercitar e a onde ir
Sempre com uma melodia na cabeça, dentes, dedos e pés inquietos
Escrita compulsiva, conceitos relâmpagos, vida remota que sorri para mim esperando ser vivida com a estabilidade que detesto
Nessas horas agradeço a insônia, o ardor nos olhos, a nudez por conta da noite calorenta.

Se existe algo pelo que ou porque eu devesse me arrepender, talvez pudesse ser por não ter traído a mim mesmo pelo menos uma única vez
Tanta gente trai, eu mesmo já fui
Se tem algo que me arrependo e que a noite expõe, é do oxigênio gasto por aquilo que moveu meu amor fictício e todos os versos e letras, hoje vazios e sem sentido
O sentido é momentâneo, penso assim, hoje também prefiro o vazio e espero que não soe vago ou superficial... Mas que se dane, se for, e daí?

E se toda essa concordância e discordância
Falta de sono, tesão secreto, gozo mental de tanto pensar, e os pássaros, morcegos
Se tudo for mesmo mero amor? Se for, que bom, penso que tô vivo... bom?
Falei que funciono melhor à noite e espero ter sido claro e conciso em compartilhar tanto.

Só peço calma
Só peço sorrisos e almas inquietas
Só peço sarcasmo e um espírito comprometido com Deus
E toda adrenalina e êxtase que puder viver
Nasci para respirar o vento frio da noite
Pois como disse: Funciono melhor à noite, pelo motivo ou situação que for
Noite... “Noite”... [...]

Eu vi o sol nascer da minha janela
Primeiramente acinzentado depois aquela cor avermelhada
Quente e que coisa linda foi.

2 comentários:

Mai disse...

Você conseguiu retratar muito bem a agonia do pensamento numa noite insone. Mas há os notívagos que não são insones porque preferem mesmo a noite. Aqui está tudo. Uma goela negra que nos engole em silêncio e escuro.

Abraços.

Lua disse...

Sou mais bonita a noite.
Mas sem insonia, só festas.
Sorrisos, corpos, etc.
É ai que eu não penso.
Por isso eu gosto mais da noite.
Porque sou primitiva nela.